França e Reino Unido pedem sanções à Líbia na ONU

A França e o Reino Unido pediram que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprove uma resolução que incluiria um embargo total à venda de armas e outras sanções contra a Líbia, bem como uma investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI), segundo informou hoje a ministra das Relações Exteriores francesa, Michele Alliot-Marie. De acordo com ela, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU a partir das 17h (de Brasília) para tratar da crise na Líbia.

AE, Agência Estado

25 de fevereiro de 2011 | 10h45

A ministra francesa disse que não está excluída a hipótese de se criar uma zona de exclusão aérea, mas notou que a situação é complexa pois há vários cidadãos estrangeiros querendo deixar a Líbia. A zona de exclusão aérea pode ser imposta para evitar o aumento da violência, já que jatos do governo dispararam várias vezes contra os manifestantes.

"Nós não podemos mais ficar no discurso, precisamos agir", cobrou a ministra francesa. Segundo ela, não pode haver impunidade pois Kadafi está convocando a população a matar os contrários ao regime e já há centenas de vítimas. Ela disse que as sanções podem ser para restringir a movimentação de pessoas do governo de Kadafi ou financeiras. O TPI pode também abrir um processo para impor sanções pelos crimes cometidos, lembrou ela.

O Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros, sendo cinco deles permanentes e com direito a veto - Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França. Outros dez ocupam cadeiras temporárias, sem direito a veto. Atualmente, as vagas temporárias são de Brasil, Bósnia, Colômbia, Gabão, Alemanha, Índia, Líbano, Nigéria, Portugal e África do Sul.

O CS deve demonstrar o descontentamento internacional após Kadafi rejeitar os pedidos de vários líderes mundiais para interromper a violência, disseram diplomatas. Mas as fontes, pedindo anonimato, notaram que dificilmente serão anunciadas sanções na reunião de hoje.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, também convocou uma reunião de emergência da aliança para hoje. A intenção é discutir a resposta da Otan à crise na Líbia.

Protestos

Os protestos e a repressão do regime de Kadafi já deixaram centenas de mortos na Líbia. O governante já não controla partes do país, sobretudo no leste. Além disso, vários funcionários anunciaram sua saída do governo, por discordar da repressão. Kadhaf al-Dam, um assessor próximo e primo de Kadafi, anunciou sua demissão, informou hoje a agência estatal egípcia Mena. Os embaixadores da Líbia em Paris e na Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) também pediram demissão. Em comunicado, eles disseram que estão "se unindo à revolução".

Hoje, moradores de Trípoli preparam uma grande manifestação contra o regime. Além disso, líderes rebeldes prometem atacar a capital do país. Os insurgentes já controlam várias cidades, incluindo Benghazi, a segunda maior da Líbia. Um coronel rebelde, Tareq Saad Hussein, afirmou que há um plano para tomar Trípoli. "Nós não vamos parar até liberar o país todo", disse ele. As informações são da Dow Jones.

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