STEPHANE DE SAKUTIN|AP
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França e Rússia reforçam cooperação

Oposição armada a Bashar Assad na Síria deve ser poupada dos ataques aéreos contra o EI; Putin não descarta ‘grande coalizão’

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 21h17

A “grande coalizão” internacional desejada pela França para lutar contra o Estado Islâmico (EI) terá de esperar por um acordo sobre o futuro político do presidente da Síria, Bashar Assad. Após uma semana de maratona diplomática, o presidente francês, François Hollande, foi recebido nesta quinta-feira pelo líder da Rússia, Vladimir Putin.

Os presidentes acertaram em Moscou a troca de informações de inteligência, a coordenação dos bombardeios contra o grupo terrorista e a preservação da oposição síria moderada. Mas, para formar uma aliança militar de ocasião, será preciso selar um acordo sobre o futuro sírio.

A reunião no Kremlin encerrou uma semana de intensos contatos diplomáticos entre líderes mundiais. Depois de se encontrar em Paris com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e com o premiê da Itália, Matteo Renzi, e de viajar a Washington para buscar um entendimento com o presidente dos EUA, Barack Obama, Hollande rumou a Moscou para as discussões mais difíceis.

Encontro. Putin lamentou as 130 mortes e os 350 feridos nos atentados do dia 13 em Paris – e lembrou que a Rússia também sofreu com o atentado contra voo 9268 da companhia aérea russa Metrojet na Península do Sinai, no Egito, que deixou 224 mortos. “Nós estamos prontos a cooperar com a França”, afirmou Putin, usando a expressão “unir esforços” na luta contra o terrorismo.

“Você está muito atento e fazendo esforços para criar uma coalizão ampliada antiterrorismo. Você conhece a nossa posição e nós estamos prontos a trabalhar juntos”, afirmou o russo, comentando a necessidade de uma coalizão ampla: “Acreditamos que seja absolutamente necessário, e nossas visões são similares sobre o assunto.”

Hollande saudou a disposição do russo ao diálogo. “Essa é a razão pela qual estou com você em Moscou, para juntos buscarmos o caminho da solução, para coordenarmos esforços e efetivamente lutarmos contra o inimigo comum.”

Depois da primeira declaração conjunta, Hollande e Putin entraram em reunião fechada e jantaram juntos. Ao término, um acordo de três pontos foi anunciado, prevendo a troca de informações entre os serviços de inteligência, a coordenação dos bombardeios contra o EI – em especial contra o transporte clandestino de petróleo, principal fonte de financiamento da organização – e a preservação dos grupos considerados moderados que lutam contra o regime de Assad.

Mas as divergências persistiram, em especial sobre o destino do presidente sírio. Putin deixou claro que uma coalizão única ainda pode ocorrer, mas dependerá da evolução das discussões diplomáticas de Viena, onde a comunidade internacional negocia um entendimento sobre um cessar-fogo no país, a realização de eleições sob a supervisão da ONU e sobre o futuro de Assad.

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