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França e Rússia rejeitam nova proposta sobre o Iraque

Num mau sinal para a tentativa dos Estados Unidos de conseguir a aprovação, no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), de uma resolução para o Iraque, Rússia e França anunciaram que não estão satisfeitas com o esboço apresentado pelos americanos, que adverte Bagdá sobre "sérias conseqüências" caso obstrua o trabalho dos inspetores de armas.Em Paris, o presidente da França, Jacques Chirac, afirmou que as relações da França com Washington não estão baseadas na idéia de que os Estados Unidos estejam "sempre certos". "Temos o nosso próprio modo de ver as coisas, e dizemos isso (aos EUA)", afirmou Chirac, "mesmo se não o fazemos de maneira agressiva". Ele falou com os repórteres depois de uma reunião com o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen. A Dinamarca está na presidência rotativa da União Européia. Os cinco membros permanentes do CS com direito a veto - China, EUA, Grã-Bretanha, França e Rússia - discutiram hoje pela primeira vez, durante três horas, o texto dos americanos, com Paris e Moscou expressando preocupação de que o esboço poderia ser usado por Washington como pretexto para lançar um ataque contra o Iraque. Outra reunião deveria ser realizada nesta noite."A proposta de resolução norte-americana... não responde a critérios que o lado russo apresentou anteriormente e reafirma hoje", teria dito o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, a jornalistas, depois de encontrar-se com Hans Blix, o inspetor-chefe de armas da ONU, em Moscou.A França também mostrou-se desapontada. "Ainda existe muito trabalho a ser feito", adiantou a chanceler francesa, Dominique de Villepin, em Luxemburgo. "Existem alguns pontos que precisam ser discutidos antes de termos um acordo."O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Richard Boucher, afirmou que as negociações tendem a ser complicadas, mas rejeitou a declaração de Ivanov. "Achamos que essas discussões estão avançando", opinou.A França, apoiada por Rússia e China, quer dar ao Iraque uma nova chance para cumprir suas obrigações de desarmamento. Paris é a favor de um tratamento em duas etapas, dando oportunidade a Bagdá de permitir as inspeções e só autorizar o uso da força numa segunda resolução, caso o Iraque atrapalhe os trabalhos.A nova proposta dos EUA, redigida com a ajuda da Grã-Bretanha, é uma única resolução que, segundo Washington, autorizaria o uso da força caso Saddam Hussein não coopere.Ela inclui frases que poderiam ser interpretadas como uma autorização para o uso imediato da força, o que enfrenta a resistência francesa e russa e que provavelmente será um ponto central das discussões.

Agencia Estado,

22 de outubro de 2002 | 19h35

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