França eleva nível de alerta terrorista

Preocupação aumentou desde a semana passada; rede de transportes e pontos turísticos estão recebendo proteção especial da polícia

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

A França está em estado de alerta contra ataques terroristas. Desde quinta-feira, os órgãos de segurança e de espionagem franceses elevaram seu nível de vigilância por causa de uma suposta ameaça de atentado contra alvos civis em Paris. Pontos de grande concentração de pessoas, como a Torre Eiffel, o aeroporto Roissy-Charles de Gaulle e a rede de metrôs estão recebendo atenção reforçada.

Os sinais de que uma ameaça anormal pesava sobre a capital francesa ficaram mais claros na última semana, quando a lei vetando o uso dos véus islâmicos integrais, como a burca e o niqab, foi aprovada pelo Parlamento. Recentemente, a torre e a estação de trens metropolitanos Saint-Michel tiveram de ser esvaziadas após ameaças.

Já em Níger, na África, o risco é real: cinco franceses foram sequestrados pela Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI).

O aumento da tensão entre os terroristas e a França teria relação com uma operação frustrada das Forças Armadas francesas para resgatar Michel Germaneau, um refém sequestrado pela AQMI em abril e assassinado em julho. Na ação, sete terroristas teriam sido mortos. Em represália, a AQMI jurou em um comunicado atacar alvos franceses.

No fim de semana, relatórios de dois serviços secretos da França obtidos pelo jornal Le Monde indicaram a radicalização do grupo terrorista, uma sucursal da Al-Qaeda na África árabe e muçulmana.

"A ameaça terrorista que pesa sobre a França e seus interesses no exterior intensificaram-se nas últimas semanas", diz um dos documentos.

Alerta vermelho. Ontem, o ministro do Interior, Brice Hortefeux, admitiu que uma "ameaça real" foi identificada pelos serviços secretos, elevando o nível de risco para vermelho, o penúltimo na escala de perigo.

"Trata-se de uma ameaça que, acreditamos, poderia ter os transportes como alvo", disse o ministro, sem entrar em detalhes, mas revelando que o risco se tornou mais claro desde quinta-feira. A advertência teria sido enviada naquela madrugada por agentes da Direção-Geral de Vigilância Exterior (DGSE) e pelo serviço secreto da Argélia, e indicaria a possibilidade de um ataque suicida de uma mulher-bomba em Paris. "A ameaça é real", reforçou, procurando tranquilizar a população. "Nossa vigilância foi reforçada."

No domingo, Bernard Squarcini, chefe da Direção Central de Informação Interior (DCRI), serviço de espionagem interna, já havia chamado a atenção para o momento delicado vivido pelo país. "Nós estamos hoje no mesmo nível de ameaças de 1995", disse ao Journal du Dimanche, referindo-se à data dos últimos atentados graves cometidos em Paris. "Todos os alertas estão no vermelho."

Por razões de segurança, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, está sendo acompanhado de agentes do Serviço de Proteção a Altas Personalidades (SPHP). Em Paris, a população segue sua rotina. No entanto, a atenção da polícia é visível nos pontos turísticos, nos quais a presença de agentes armados de metralhadoras intensificou-se. No sistema de metrô, uma mensagem na qual se pede atenção redobrada a objetos abandonados no interior dos vagões e nas estações vem sendo repetida com mais frequência.

Medo

BERNARD SQUARCINI

DIRETOR DA DCRI

"Nós estamos hoje no mesmo nível de ameaças de 1995" (em referência à data dos

últimos atentados graves cometidos em Paris)

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