França expulsou 45 mil imigrantes desde posse de Sarkozy

Expulsões de imigrantes em 2008 aumentaram 28,5% em relação a 2007.

Daniela Fernandes, BBC

14 de janeiro de 2009 | 06h45

O governo da França expulsou 45 mil imigrantes ilegais desde a posse do presidente Nicolas Sarkozy, em maio de 2007.Com a introdução de novas restrições na política de imigração e o uso de incentivos para retornos voluntários, o governo conseguiu superar a meta de expulsões fixada para 2008. No ano passado, cerca de 30 mil clandestinos foram expulsos ou deixaram voluntariamente a França após receber uma ajuda financeira do governo, segundo dados do Ministério francês da Imigração. A meta inicial do governo era de 26 mil expulsões em 2008. No total, foram expulsos 29.796 clandestinos no ano passado, o que representa um aumento de 28,5% na comparação com 2007, informou o ministro da Imigração, Brice Hortefeux. BrasileirosO reforço da política de imigração na França, defendida por Sarkozy, também afeta os brasileiros.O consulado do Brasil em Paris informa já ter solicitado às autoridades francesas os dados sobre o número de brasileiros expulsos do país no ano passado e preferiu não revelar suas estimativas.De acordo com o consulado, 1,86 mil brasileiros foram expulsos da França em 2007.Esse número se refere apenas às pessoas detidas nas ruas do país sem visto de residência e não integra os que tiveram sua entrada negada já nos aeroportos franceses, os chamados "não admitidos" no país.Segundo o consulado, o número de brasileiros barrados nos aeroportos de Paris também foi de cerca de 1,8 mil em 2007. No ano anterior, o total havia sido de 1,135 mil."Em 2008, o total de brasileiros barrados nos aeroportos da França deve ser certamente maior. Há uma evolução exponencial devido à política de imigração mais rigorosa na França", afirma uma fonte ligada ao governo brasileiro que prefere não se identificar.Durante a presidência francesa da União Européia, encerrada em dezembro, Sarkozy também incitou a criação do pacto europeu de imigração, com normas mais restritivas para os países do bloco, que resultaram na polêmica "Diretiva do Retorno".O aumento do número de expulsões de ilegais foi criticado por associações de defesa dos direitos humanos na França e até mesmo sindicatos de policiais, que denunciam uma pressão "para atingir as cifras exigidas"."Ao lutarmos contra a imigração clandestina, controlarmos o fluxo de imigração e favorecermos a integração dos imigrantes, preservamos dessa forma nossa identidade nacional", disse o ministro da imigração, Brice Hortefeux, que em breve ocupará a pasta do Trabalho.Ainda segundo o governo francês, um terço dos ilegais expulsos, pouco mais de 10 mil pessoas, deixou o país voluntariamente após receber uma ajuda financeira.Mas especialistas e também a imprensa francesa relativizaram os números de partidas voluntárias já que a quase totalidade das pessoas que receberam incentivos financeiros para deixar o país é de origem romena e búlgara, países que integram a União Européia.Eles receberam cerca de 300 euros para deixar a França. Normalmente, a ajuda financeira é de cerca de 2 mil euros.Os trabalhadores desses dois países ainda não podem trabalhar livremente na França. Especialistas acreditam que eles preferiram receber o dinheiro e que nada os impede de retornar mais tarde ao país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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