França faz homenagem a muçulmanos mortos na 1ª Guerra

Noventa anos após o sangrento impasse no front da 1ª Guerra Mundial, o presidente da França, Jacques Chirac, inaugurou o primeiro monumento em homenagem aos 28.000 muçulmanos que morreram pela França na Batalha de Verdun. Em cerimônia para marcar as nove décadas da batalha, Chirac celebrou a diversidade étnica dos soldados que mantiveram a linha contra a invasão alemã em 300 dias de combates que deixaram 300.000 mortos."Durante o interminável ano de 1916, toda a França esteve em Verdun", disse Chirac, no ossuário da cidade de Douaumont, perto dos campos de batalha. "O exército de Verdun foi um exército do povo, e todos tomaram parte. Era a França, em sua diversidade"."Essas homens que lutaram com tenacidade não eram motivados por nacionalismo, nem pelo ódio ao inimigo", disse o presidente. "A alma deles não era militarista. Era patriótica".A França se valeu de forças domésticas e de suas possessões coloniais para a guerra: cristãos, judeus, muçulmanos e mesmo alguns sikhs estiveram entre os que lutaram e morreram. Monumentos aos cristãos e judeus mortos em Verdun foram erigidos nos anos 30. Até este domingo, a única menção aos muçulmanos estava numa modesta placa de pedra.O monumento inaugurado agora inclui uma grande cúpula e localiza-se ao lado de um cemitério com lápides de 592 muçulmanos - todos sepultados na direção de Meca.Com a presença do embaixador alemão, Chirac também lembrou os alemães mortos, e citou a amizade e a reconciliação entre os dois países. "Hoje, podemos dizer com a confiança que a amizade permite: ´Nuca mais!´", declarou o presidente.

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