França faz nova advertência a rebeldes chadianos

Segundo ministro do Exterior, país pode agir de forma 'mais decisiva' para proteger o Chade

Efe,

06 de fevereiro de 2008 | 10h16

O ministro do Exterior francês, Bernard Kouchner, disse nesta quarta-feira, 6, aos rebeldes chadianos que a França pode agir de forma "mais decisiva", se for necessário, para "proteger o governo legal" do presidente do país, Idriss Deby.   Veja também:  Entenda o conflito entre governo e rebeldes    Kouchner foi questionado na emissora Europe 1 sobre a afirmação feita na terça-feira pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que a França "cumprirá seu dever" no Chade, se for preciso, agora que o Conselho de Segurança da ONU, em uma declaração, pediu que os países apóiem o governo legítimo chadiano.   O "dever da França" seria "proteger o governo legal, talvez agora de forma mais decisiva se surgir a necessidade", disse o ministro. "Isto não quer dizer que vamos fazer isso ou que desejamos fazê-lo", acrescentou.   Apesar disso, Kouchner alertou que a França agora tem "quase a obrigação moral e política, em nome da comunidade internacional e do Conselho de Segurança da ONU", de proteger o governo chadiano.   A França, que tem um acordo de cooperação militar com o Chade - que prevê ajuda logística, médica e de informação -, reforçou seus efetivos militares, que ultrapassam agora os 1.500 homens, no país africano devido à ofensiva lançada na semana passada pelos rebeldes, que vieram do vizinho Sudão.   Apesar de o ministro francês ter destacado que as forças de Déby controlam N'djamena, ele admitiu que os rebeldes estão agrupados "com uma centena ou mesmo duas centenas" de veículos, ao leste da capital chadiana.   "Serão reabastecidos? Vão voltar a fazer um ataque? Ou, pelo contrário, vão fugir, que é o que esperamos?", questionou o chanceler.   Trégua   Na terça-feira, um porta-voz dos rebeldes disse que eles haviam aceitado um cessar-fogo, pelo bem da população, a pedido dos chefes de Estado da Líbia e de Burkina Fasso, mas o governo chadiano rejeitou essa trégua, dizendo que não era necessária porque a rebelião tinha sido "derrotada".   Nesta quarta, os rebeldes ameaçaram retomar a guerra se o governo não se unir à trégua, informou um porta-voz rebelde. Abderamane Koulamallah, porta-voz do Comando Militar Unificado, disse por telefone que estavam à espera dos mediadores, mas que, se o governo não assinar o cessar-fogo, "farão a guerra".   Koullamallah, que confirmou que as tropas rebeldes estão a cerca de 30 quilômetros da capital, N'djamena, disse que estão "se reorganizando" e preparando uma "nova tática". Também informou que esperam a chegada de outra grande coluna de reforços procedente do leste.   Retirada   Nesta quarta, um terceiro vôo, procedente de Libreville (Gabão), pousou no aeroporto de Roissy-Charles de Gaulle (Paris) com várias centenas de franceses e outros estrangeiros, evacuados de N'djamena graças ao dispositivo implementado no sábado pelas forças militares francesas no Chade.   Kouchner lembrou que, com esse dispositivo, a França já evacuou do Chade quase 1.300 franceses e outros estrangeiros.   Ele indicou que os soldados franceses realizaram "operações militares de proteção" de franceses ou estrangeiros e para guardar o aeroporto de N'djamena, mas não participaram da "guerra entre chadianos".

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