AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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França faz pedido formal por ajuda militar da União Europeia

País recorreu ao artigo 42.7 dos tratados comunitários, que faz referência à solidariedade dos Estados-membros em relação à defesa quando um dos países do bloco sofre um ataque armado

O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2015 | 10h27

BRUXELAS - A França recorreu nesta terça-feira, 17, ao artigo 42.7 dos tratados comunitários, que faz referência à solidariedade dos Estados-membros da União Europeia (UE) em matéria de defesa quando algum dos integrantes do bloco sofre um ataque armado, neste caso os atentados realizados em Paris, que deixaram 129 mortos e 352 feridos.

"Em Bruxelas, acabo de invocar o artigo 42.7 em nome da França", declarou em sua conta no Twitter o ministro de Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, que participa hoje de um Conselho de Ministros do ramo da UE.

Esta é a primeira vez que o artigo é invocado. Ele diz que se um país da União Europeia for alvo de uma ofensiva armada em seu território, os demais Estados-membros "deverão prestar ajuda e assistência com todos os meios a seu alcance".

"Isso é entendido sem prejuízo do caráter específico da política de Segurança e Defesa de determinados Estados-membros", segundo o mesmo artigo. O item acrescenta que os compromissos e a cooperação dos países "seguirão ajustados aos compromissos adquiridos no marco da Otan".

O presidente francês, François Hollande, pediu na segunda-feira ao ministro da Defesa do país para fazer esta solicitação à UE.

Ao chegar ao Conselho, o ministro tcheco, Martin Stropnicky, foi taxativo ao dizer que não espera "nenhuma contribuição no que se refere a tropas para a França", já que é "um país grande e poderoso demais e que tem suas próprias capacidades para enfrentar qualquer situação, por mais grave que seja".

De acordo com o representante tcheco, a ajuda à França pode ser feita "com uma cooperação mais estreita no que se refere à troca de informação, e também de informação confidencial". "Temos que saber mais sobre a preparação de ações terroristas", comentou.

A ministra alemã, Ursula von der Leyen, disse que a Alemanha fará tudo o que puder para conceder "ajuda e apoio" à França. O representante irlandês, Simon Coveney, também se mostrou a favor de "compartilhar mais inteligência, para que se possa entender quem está se movimentando e aonde na UE, de modo a ter um panorama mais exato e tentar construir um perfil dessas pessoas", disse em referência aos terroristas.

"Espero que o que aconteceu não mine o princípio fundamental da União Europeia, que é criar um espaço no mundo no qual as pessoas possam se movimentar, trabalhar em diferentes países", indicou. Ele ainda disse que acredita em poder "fazer frente às preocupações de segurança da França enquanto, ao mesmo tempo, permanecer fiéis aos valores da UE, o que significa um grande desafio".

O ministro de Defesa da Grécia, Panagiotis Kammenos, garantiu que "todos assumirão suas responsabilidades" e considerou "muito importante a troca de informação", enquanto a ministra italiana, Roberta Pinotti, disse que terá que analisar o pedido da França. "O ataque a Paris foi um ataque ao coração da Europa", assinalou.

A ministra holandesa, Jeanine Hennis, declarou que o compromisso na Síria, reduto dos terroristas do Estado Islâmico, "continua em uma coalizão liderada pelos Estados Unidos", e considerou que "está na hora de a Europa também soltar a voz". /EFE

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