AFP PHOTO / JACQUES DEMARTHON
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França fechou 20 mesquitas desde dezembro, diz ministro

Cazeneuve, do Interior, se reúne com líderes islâmicos e afirma que também expulsará ‘pregadores extremistas'; cúmplice de terrorista de Nice é preso

O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2016 | 18h07

PARIS - O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, declarou ontem que 20 mesquitas e salas de oração foram fechadas na França desde dezembro. Segundo ele, mais delas serão fechadas assim como haverá também “expulsões de pregadores extremistas”. 

“Não há espaço na França para aqueles que nas salas de orações ou nas mesquitas convocam e provocam o ódio e não respeitam um certo número de princípios republicanos. Penso especialmente na igualdade entre homens e mulheres”, disse o ministro à imprensa depois de se reunir com o presidente e o secretário do Conselho Francês de Culto Muçulmano, Anouar Kbibech e Abdullah Zekri.

“Essa é a razão pela qual decidi, há vários meses, tanto no âmbito do estado de emergência quanto mobilizando todos os meios de direito comum e com as medidas administrativas disponíveis, fechar mesquitas. Até agora, cerca de 20 foram fechadas e haverá mais (fechamentos), dadas às informações que temos”, advertiu.

Na França, há cerca de 2,5 mil mesquitas e salas de oração, 120 das quais são consideradas difusoras de uma ideologia fundamentalista salafista. Cazeneuve informou que, desde 2012, 80 pessoas foram expulsas da França e outras dezenas de expulsões “estão em andamento”, sem dar mais detalhes.

A reunião de ontem entre o ministro e os líderes do CFCM deveria discutir a organização e o financiamento do Islã nas fileiras muçulmanas, após os ataques do dia 14, em Nice, e do dia 26, em uma igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray (Normandia).

Cazeneuve confirmou a “refundação” iminente do Islã na França, com uma melhora da “transparência no financiamento” das mesquitas, “no respeito rigoroso dos princípios de laicidade”.

“Existe um trabalho técnico que é difícil, sobre o qual temos de trabalhar de forma extremamente metódica, e me levará a fazer propostas complementares ao primeiro-ministro durante o verão, de forma que possamos propor um dispositivo globalmente coerente no mês de outubro”, anunciou. 

Prisão. A Justiça da França acusou formalmente e prendeu ontem um homem de 36 anos suspeito de ligação com Mohammed Lahouaiej Bouhlel, o terrorista que causou a morte de 84 pessoas em Nice após utilizar um caminhão para atropelar as pessoas que assistiam à queima de fogos na cidade.

Fontes judiciais informaram à agência EFE que o homem, identificado como Hamdi Z., aparece em uma fotografia feita por Bouhlel em frente ao caminhão dias antes do atentado. Ele foi acusado de formação de quadrilha com fins terroristas e criminosos.

Hamdi foi detido no dia 25 pela Polícia Judiciária de Nice e se soma a outras cinco pessoas já indiciadas no caso, suspeitas de terem ajudado ou exercido influência sobre o assassino, morto também no ataque. / AFP e EFE

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