França festeja, violência cresce

Dia nacional que marca Queda da Bastilha teve mais prisões e carros queimados que em 2008

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2009 | 00h00

O número de protestos sociais, de prisões e de veículos queimados voltou a crescer na França durante os festejos do 14 de Julho, que marcam a Queda da Bastilha. Entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, 317 carros foram incendiados - 6,73% a mais do que em 2008 - e 240 pessoas foram interpeladas pela polícia, o dobro do ano passado. As manifestações nas periferias de diversas grandes cidades francesas já se transformam em uma espécie de "tradição" que antecede o 14 de Julho. Segundo a Direção-Geral de Polícia Nacional (DGPN), em dias normais, em média, 120 carros são queimados na França. O incêndio de carros é uma forma de rebelião que se acentua em datas nacionais, celebradas com fogos de artifícios. A maior incidência de incêndios ocorreu no Departamento de Ile-de-France, onde se localizam Paris e a cidade de periferia Seine-Saint-Denis, região de baixa renda onde se concentraram as insurreições de jovens em 2005 e 2006. Na cidade, as manifestações de 14 do Julho já tinham sido precedidas de protestos no Distrito de Montreuil, onde um jovem perdeu a visão de um olho por um tiro de bala de borracha durante uma ação policial, no sábado. Uma investigação foi aberta pela corregedoria para investigar as circunstâncias do ferimento. Ontem, em Ile-de-France, 215 veículos foram destruídos. Em 2008, foram 211. O aumento mais considerável, de 18,61%, ocorreu no interior da França, em Lille e Lyon, respectivamente, com 28 e 27 automóveis atacados. Já o número de interpelados durante os protestos teve um aumento de 98,35%. Este ano foram 240 e 121 no ano passado. Das abordagens policiais, 190 resultaram em prisões, uma elevação de 163,89%. O número de detenções reflete a política de rigor que o novo ministro do Interior, Brice Hortefeux, adotou desde que assumiu, há menos de um mês. Já prevendo os protestos, o Ministério do Interior mobilizou 40 mil policiais para reforçar a segurança pelo país. Em Paris, a segurança foi reforçada com 10 mil policiais nos locais de comemoração, preparados para receber 800 mil pessoas. Apesar dos distúrbios, não houve nenhum ferido grave entre manifestantes ou policiais. Em nota oficial, a Polícia Nacional classificou a noite como "relativamente calma, sem incidentes maiores". Já o Partido Socialista, líder da oposição, lamentou em nota a recorrência dos atos de vandalismo: "Infelizmente, não há nenhuma surpresa, pois este é o resultado de sete anos de uma política ineficaz em matéria de segurança pública."

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