REUTERS/Jacky Naegelen
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França homenageia vítimas dos atentados em Paris no Palácio dos Inválidos

Presidente François Hollande prometeu fazer tudo o que for necessário para ‘destruir’ o grupo jihadista Estado Islâmico

Andrei Netto, CORRESPONDENTE/PARIS, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2015 | 08h45

PARIS - Quinze dias após os atentados que deixaram 130 mortos e mais de 350 feridos em Paris, a França parou no final da manhã desta sexta-feira, 27, para uma homenagem solene às vítimas do terrorismo. Reunidos no Palácio dos Inválidos, panteão militar do país, líderes políticos e parentes das vítimas ouviram o presidente francês, François Hollande, prometer destruir o grupo terrorista Estado Islâmico.

A homenagem teve início às 10h30 (7h30 em Brasília) e foi realizada no pátio interno do prédio histórico, a céu aberto, sob o frio de 1ºC. Repleta de momentos de silêncio, a cerimônia teve o seu auge na leitura dos 130 nomes das pessoas que morreram no dia 13 de novembro, com suas fotos sendo projetadas em um telão. Hollande procurou, em um discurso de 16 minutos, manter um tom emocional, de lembrança às vítimas, de consolo às famílias e de elogio aos valores da França, com advertências ao grupo jihadista que orquestrou os ataques. 

"Os terroristas querem nos dividir, nos opor, nos jogar uns contra os outros. Eles fracassarão. Eles cultuam a morte, mas nós cultuamos o amor pela vida", afirmou. "Os que caíram em 13 de novembro eram a França, toda a França. Eles eram estudantes, jornalistas, professores, comerciantes, engenheiros, motoristas, advogados, grafistas… Ao nos lembrarmos de seus nomes, de seus rostos, de suas conquistas, de suas alegrias, de seus sonhos destruídos, nós agiremos amanhã." 

Hollande se dirigiu ao Estado Islâmico, reforçando sua disposição de contra-atacar. "Nós conhecemos o inimigo. Esse ódio que mata em Bamako, em Túnis, em Palmira, em Paris, que matou em Londres, em Madri, é o obscurantismo, ou seja, um Islã pervertido que renega a mensagem de seu livro sagrado", justificou. "Este inimigo, nós o venceremos. Juntos, com nossas forças, as da República. Com nossas armas, as da democracia. Com nossas instituições e com o direito internacional."

O líder prometeu “solenemente” fazer tudo o que for necessário para “destruir o exército de fanáticos” responsável pelos atentados em Paris, e denunciou a “horda de assassinos” que atuaram “em nome de uma causa demente e de um Deus traído”.

“Não cederemos ao medo e nem ao ódio”, afirmou o presidente francês. “A França não mudará. Se precisamos de um motivo para continuar de pé, para lutar por nossos princípios, para defender os valores da nossa República, os encontraremos em sua memória.”

O presidente também lembrou a presença francesa na África, onde o exército luta contra grupos jihadistas no Mali e na região do Sahel, no centro do continente. "Nós podemos contar com nossos militares engajados em operações na Síria, no Iraque e no Sahel", disse o presidente.

Ao término da cerimônia, o coral das Forças Armadas entoou o hino nacional e, em seguida, Hollande deixou o Palácio dos Inválidos sem se dirigir às famílias. No cerimonial francês, a escolha visa evitar o excesso de emoção, manter a solenidade e acentuar o discurso presidencial.

Cerca de 2.600 pessoas compareceram ao evento, incluindo membros da polícia e dos serviços de emergência que trabalharam na noite dos atentados. No entanto, a cerimônia não foi aberta para o público em geral e só era permitida a entrada daqueles que tinham um convite. Do lado de fora, centenas de pessoas se reuniram para acompanhar a saída das autoridades.

Esta é a primeira vez que o Palácio dos Inválidos sedia uma cerimônia de homenagem a vítimas civis.

Inúmeras janelas foram cobertas nesta sexta-feira com bandeiras francesas por toda a cidade de Paris em sinal de patriotismo. Outros atos serão realizados ao longo do dia, sendo alguns deles em frente a locais que sofreram os ataques, como a casa de shows Bataclan, onde morreram 90 pessoas. /COM AFP e EFE

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