França impõe primeiras multas contra véus muçulmanos

Um tribunal da polícia da França impôs nesta quinta-feira as primeiras multas contra duas mulheres, acusadas por usarem o niqab, um véu muçulmano que cobre toda a face, deixando aparecer somente os olhos. A polícia já impôs várias multas desde que uma lei proibindo esse tipo de vestimenta entrou em vigor em abril, porém essas são as primeiras confirmadas por tribunais.

AE, Agência Estado

22 Setembro 2011 | 09h27

As mulheres disseram que pretendem apelar para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Hind Ahmas terá de pagar uma multa de 120 euros, enquanto Najate Nait Ali deverá pagar 80 euros. O tribunal não ordenou que elas fizessem um curso de cidadania, como havia solicitado o procurador.

As duas mulheres chegaram tarde para assistir às deliberações da corte. Uma deles havia sido impedida de entrar no local em maio, pois se recusara a retirar seu niqab e mostrar a face. O tribunal fica em Meaux, 50 quilômetros a leste de Paris.

Yann Gre, da associação "Não toquem em minha Constituição", que defende as mulheres, disse que elas apelarão. Caso a multa seja confirmada por uma instância superior, elas pretendem levar o caso ao tribunal da União Europeia em Estrasburgo.

As mulheres chegaram a ser presas em maio, quando levaram um bolo de aniversário para o prefeito e parlamentar Jean-François Cope, uma liderança no partido de centro-direita União por um Movimento Popular (UMP), o mesmo do presidente Nicolas Sarkozy. Várias mulheres saíram às ruas vestindo o niqab em solidariedade a elas, entre elas Kenza Drider, da cidade de Avignon, que se declarou candidata à presidência nas eleições do ano que vem. É, porém, difícil que Kenza consiga as 500 assinaturas de autoridades eleitas necessárias para conseguir entrar na disputa.

Funcionários franceses estimam que apenas 2 mil mulheres, de uma população muçulmana total de entre 4 milhões e 6 milhões, usem vestimentas que cobrem toda a face. Sarkozy foi acusado de estigmatizar o Islã para ganhar votos da direita, de olho nas eleições do ano que vem. As informações são da Dow Jones.

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