França investiga indícios de célula terrorista

Um novo tentáculo do "polvo" terrorista, quem sabe do polvo da Al-Qaeda, foi descoberto em Paris? Nenhuma certeza, mas indícios consistentes. Há um mês, a procuradoria pública de Paris, de acordo com o DST, divulgou a informação sobre existência de filiais chechenas na França. E há dois dias, quatro pessoas foram presas perto de Paris, em Courneuve. Entre eles, um argelino de 29 anos, Mirouane ben Ahmed, que se deslocou muito na Europa, que passou um longo período na Chechênia em 2001 e que parece ser muito competente com eletrônica. E não é tudo. O mesmo Mirouane estava ligado ao "grupo de Frankfurt", na Alemanha, catalogado como próximo da Al-Qaeda e desmantelado em 2000, quando se preparava para fazer um atentado em Estrasburgo. Dois integrantes deste grupo terrorista de Frankfurt, que haviam combatido no Afeganistão, fugiram. Um dos dois foi preso na Espanha. O outro conseguiu chegar à Chechênia. Quando mencionamos filiais chechenas na França, não queremos dizer grandes batalhões. Algumas dezenas de homens fascinados pela Jihad Islâmica e aos olhos dos quais a Chechênia constitui um terreno de ação ideal. Nada de americanos, uma guerrilha islâmica poderosa e determinada, que luta contra as tropas russas, tropas russas aos farrapos. O serviço secreto francês intensificou as investigações. Eles interrogaram vinte muçulmanos por hora, em partida para a Chechênia. Argelinos e franceses, franco-argelinos fundamentalistas que, geralmente, passaram pelos batalhões islâmicos e sanguinolentos que operam na Argélia, os GIA. Esses muçulmanos não procuram ajudar os combatentes chechenos que lutam contra os soldados russos em Grozny. Trata-se de muçulmanos que utilizam a Chechênia para se organizar ou preparar atentados na Europa. Deve ser o caso, segundo as autoridades francesas, dos quatro homens presos em Courneuve. Eles carregavam dois cilindros de gás vazios, muito dinheiro, armas e uniformes de proteção para manipular substâncias químicas. O arsenal deles contava também com percloreto de ferro, que serve tanto para confeccionar poderosos explosivos quanto para soldar circuitos integrados. Tudo isso não constitui prova de que estivessem preparando atentados terroristas. Mas é uma probabilidade. O que impressionou os investigadores foi a facilidade com que os homens da filial chechena vão e vem. Digamos que eles circulam pela Europa à vontade. Se querem se encontrar na Chechênia, encontram uma logística fantástica, falsos passaportes e hospedagem. Outra característica dessa filial chechena é que tem ramificações em um grande número de países europeus. Os grupos franceses têm relações com meios integristas em Londres e Alemanha. Deste modo, verifica-se que o perigo terrorista não é exclusividade de um país em especial. A globalização do terror está muito mais rápida que a globalização da economia.

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