França joga xadrez no Oriente Médio

Ir a Israel é um aventura fascinante, mas perigosa para um chefe de Estado. É como se ele andasse na corda bamba, suspenso no vazio. Basta que o equilibrista penda um pouco mais para o lado de Israel ou para o dos palestinos, para estatelar-se no chão. Foi o que ocorreu com líderes franceses como Charles De Gaulle, François Mitterrand e Jacques Chirac. O atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, está consciente desses perigos, mas é um temerário. Tem uma confiança ilimitada em seu próprio poder de sedução, a ponto de passar o tempo "seduzindo-se a si mesmo". Então, resolveu fazer as malas, com Carla Bruni, sua mulher, e passar três dias em Israel. O objetivo: conseguir a paz. O programa estava bem ensaiado. Sua viagem ocorre depois das numerosas e recentes iniciativas em relação ao Oriente Médio. Nesse jogo de xadrez, todas as peças foram envolvidas. No que se refere ao Irã, inimigo mortal de Israel, a França mostrou-se mais severa do que os EUA. Em contrapartida, Sarkozy mostrou indulgência chocante para com certos regimes árabes detestáveis. Recebeu com toda a pompa, e até de maneira grotesca, o líder líbio, Muamar Kadafi. E foi mais iconoclasta ainda: sob o pretexto da criação da União Mediterrânea, receberá em Paris, no dia 14, o líder sírio, Bachar Assad, inimigo mortal de Israel. Com que finalidade? Sarkozy gostaria que Assad e o premiê israelense, Ehud Olmert, apertassem as mãos. Nesse jogo encaixa-se a visita a Israel. As chances do sucesso de sua "campanha diplomática" para o Oriente Médio poderão ser observadas dia 14 , se, como espera, conseguir reunir em Paris, ainda que por algumas horas, os eternos inimigos que são os países árabes e Israel. * Gilles Lapouge é correspondente em Paris

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