Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
AP Photo/Christophe Ena
AP Photo/Christophe Ena

França lembra um ano dos ataques a Paris 

Franceses depositaram flores nos locais dos atentados e presidente inaugurou placas com os nomes vítimas 

Andrei Netto Correspondente / Paris , O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2016 | 21h13

Uma série de eventos na capital da França marcou neste domingo, 13, o primeiro aniversário dos atentados de Paris e Saint-Denis, que deixaram 130 mortos e 413 feridos. Depois do show de Sting, na noite de sábado, que reabriu a casa de shows Bataclan, o dia seguinte foi de introspecção e homenagens silenciosas. 

Em meio às homenagens, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, anunciou que o governo reconduzirá o estado de emergência, o regime de exceção decretado no dia 14 de novembro de 2015, que reforça os poderes da polícia, do Ministério Público e da Justiça no combate ao terrorismo. 

Em uma atmosfera de forte comoção, milhares de franceses se revezaram em tributos nos locais dos ataques, invadindo a noite na Praça da República, no Canal Saint-Martin e na catedral de Notre-Dame.

As homenagens começaram na noite de sábado, com o show de Sting. Na abertura, o britânico afirmou: “Nesta noite, temos duas tarefas a conciliar: a primeira, nos lembrarmos daqueles que perderam a vida nos ataques de 13 de novembro. A seguir, celebrar a vida e a música que essa sala de espetáculos histórica representa”. O músico então pediu um minuto de silêncio e, ao fim, cantou Fragile, cujo refrão afirma: “Para não esquecer o quanto somos frágeis”.

No início da manhã de hoje, as cerimônias continuaram com a inauguração pelo presidente da França, François Hollande, de uma placa em memória ao português Manuel Dias, morto nos arredores do Stade de France, em Saint-Denis, após a detonação do colete de explosivos de um dos suicidas do Estado Islâmico. Michel, seu filho francês, que se define como um órfão do terrorismo do Estado Islâmico, fez o único discurso de todo o dia. “O amor de meu pai nenhum ataque terrorista poderá retirar.”

Um dos sobreviventes de Saint-Denis, Bley Bilal Mokono, hoje surdo de um dos ouvidos e preso a uma cadeira de rodas, emocionou-se diante dos jornalistas e ressaltou o dever de todos de “continuar em pé” frente ao terrorismo. “O que esses fanáticos querem é nos dividir, criar ódio, nos enfraquecer”, advertiu, chorando. “Mas não vai ser assim. Sou de confissão muçulmana, de mãe católica. Isso não me impede de respeitar o outro.” Ao longo da manhã, Hollande e a prefeita de Paris inauguraram placas em memória das vítimas em todos os locais atacados. 

À tarde e à noite, as homenagens continuaram em várias partes da capital. Na Praça da República, coração dos distritos atingidos pelos ataques, centenas de pessoas depositaram flores e acenderam velas em memórias dos mortos.

As cerimônias mais emocionantes, entretanto, aconteceram nas imediações do Canal Saint-Martin. Milhares de pessoas se reuniram para depositar lanternas artesanais, nas quais se lia o nome das vítimas. Em frente ao Bataclan, pianistas se alternavam. Sobrevivente do ataque à sala de espetáculos onde 90 morreram, Jesse Hughes, vocalista da banda Eagles of Death Metal, que tocava naquela noite, se disse comovido. “Se há um lugar no qual eu queria estar hoje, é aqui”, afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.