Guillaume Horcajuelo/AP
Guillaume Horcajuelo/AP

França limitará eventos da Conferência do Clima da ONU após ataques terroristas

Primeiro-ministro Manuel Valls confirmou nesta segunda-feira que apenas palestras principais da COP 21 serão mantidas; manifestações e eventos culturais serão cancelados

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 12h19

PARIS - Após os ataques terroristas em Paris que deixaram ao menos 129 mortos, a França anunciou nesta segunda-feira, 16, que limitará os eventos da 21º Conferência do Clima (COP 21) das Nações Unidas, cuja abertura está marcada para o dia 30. O primeiro-ministro Manuel Valls afirmou que as palestras principais serão mantidas, mas as manifestações e as atividades culturais que estavam planejadas serão canceladas.

Valls disse também que nenhum líder estrangeiro pediu que o governo francês adie a cúpula entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro, do qual espera-se a apresentação de um acordo obrigatório na forma de um tratado para limitar o aumento médio da temperatura na Terra, uma iniciativa que significaria "se curvar diante dos terroristas".

Em entrevista à rádio RTL, o premiê afirmou que "uma séria de manifestações que estavam planejadas não vão ocorrer e que (a conferência) será reduzia apenas as negociações". "Uma grande quantidade de festividades e show serão cancelados."

Ativistas ambientais devem se reunir ainda nesta segunda-feira para reformular o plano de uma grande marcha marcada para o dia da abertura da COP 21 para a qual se esperava a participação de pelo menos 200 mil pessoas e cujo objetivo era pressionar os governos a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Os principais grupos ativistas envolvidos na COP 21 afirmaram que respeitarão qualquer proibição que seja imposta pelo governo em razão do estado de emergência decretado na França após os atentados de sexta-feira.

O chanceler francês, Laurent Fabius, que está na  Turquia para uma reunião do G-20, disse que muitos líderes mundiais reafirmaram que participarão da COP 21. Ele afirmou que alguns líderes disseram que antes planejavam participar da conferência e agora "terão que ir para mostrar que não temem os terroristas".

Alden Meyer, da Union of Concerned Scientists, não acha que os ataques afetarão o resultado da conferência sobre o clima, que deverá aprovar um plano para restringir as emissões de gases do efeito de estufa para depois de 2020.

Ele observou que a última cúpula do clima, em Copenhagen, em 2009, falhou em parte porque muitos líderes mundiais estavam relutantes em comprometer-se em mudar o uso de combustíveis fósseis em meio à crise financeira. "Não acho que os ataques terão uma influência substancial sobre o conteúdo das negociações, ao contrário do plano de fundo em que as negociações de 2009 foram realizadas."

Meyer e outros especialistas também disseram que a COP 21 poderá debater a relação entre as alterações climáticas e a segurança nacional, um tema frequentemente destacado pelo Secretário de Estado dos EUA, Jon Kerry.

Em maio, por exemplo, um estudo da revista americana Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, disse que a seca e a mudança climática causada pelo homem podem estar entre as causas subjacentes do conflito na Síria. / REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaManuel Valls

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.