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França luta para impedir que vazamento de e-mails de Macron distorça eleição

Comissão eleitoral do país diz que retransmissão dos dados, obtidos de forma fraudulenta, é suscetível de penalidade; campanha do centrista alerta que hackers incluíram documentos falsos junto com verdadeiros para 'semear a dúvida e a desinformação'

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2017 | 16h24

PARIS - A França buscava impedir que o vazamento de e-mails de campanha do líder da disputa presidencial no país Emmanuel Macron influenciasse o resultado da eleição, com um alerta neste sábado, 6, de que a republicação das informações poderia ser uma infração criminal.

A equipe de Macron disse que uma invasão "maciça" havia baixado e-mails, documentos e informações de financiamento de campanhas online antes da campanha ter terminado na sexta-feira e a França entrou em um período de silêncio que proíbe os políticos de comentar sobre o vazamento.

Já o presidente francês em final de mandato, François Hollande, garantiu hoje que a ação de pirataria não ficará "sem resposta" e que "procedimentos serão postos em vigor".

"Às vésperas das eleições mais importantes para as nossas instituições, a comissão convida todos os presentes nos sites da internet e nas redes sociais, principalmente os meios de comunicação, mas também todos os cidadãos, a mostrar responsabilidade e não transmitir esse conteúdo, para não distorcer a sinceridade da votação", disse a comissão eleitoral francesa em um comunicado.

O vazamento de dados surgiu em meio a pesquisas indicando que Macron estava a caminho de uma confortável vitória sobre a líder de extrema-direita Marine Le Pen na eleição de domingo, com os últimos levantamentos mostrando seu aumento de liderança.

A comissão, que supervisiona o processo eleitoral, disse depois de uma reunião de emergência marcada neste sábado que os dados foram obtidos de forma fraudulenta e podem ser misturados com informações falsas.

Cerca de nove gigabytes de dados foram lançados por um usuário chamado EMLEAKS para o Pastebin, um site de compartilhamento de documentos que permite postagem anônima, no final da sexta-feira.

Não estava imediatamente claro quem era o responsável, mas o movimento político de Macron disse em uma declaração que a invasão era uma tentativa de desestabilizar a democracia e danificar o partido. De acordo o grupo criado pelo ex-ministro da Economia há um ano visando a disputa das eleições, os autores do ataque enviaram documentos falsos junto com verdadeiros para "semear a dúvida e a desinformação". 

Desde a publicação, via Twitter, dos documentos hackeados, a extrema direita tem replicado os dados. "Os #Macronleaks vão aprender coisas que o jornalismo investigativo deliberadamente matou? Assustador este naufrágio democrático", declarou o braço direito de Marine Le Pen, Florian Philippot.

O pesquisador belga especialista em redes sociais Nicolas Vanderbiest estudou o modo como esses documentos se propagaram online na sexta à noite e acusou um militante americano ligado à extrema direita de estar em sua origem. Contas em francês favoráveis à Frente Nacional teriam reforçado a ação.

Em março, o En Marche! foi alvo de tentativas de phishing, atribuídas a um grupo russo, de acordo com a empresa japonesa de cibersegurança Trend Micro.

Esta pirataria pode afetar o voto dos eleitores franceses no domingo? Nas últimas pesquisas divulgadas na sexta-feira, antes do encerramento da campanha oficial, Emmanuel Macron ainda estava bem à frente, com entre 61,5 e 63% dos votos, contra 37%-38,5% para Marine Le Pen. / REUTERS, EFE e AFP

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