França: Ministro e sindicatos aceitam se reunir

Sindicatos franceses concordaram encontrar-se com o primeiro-ministro Dominique de Villepin, na sexta-feira, para discutir o controversa "Contrato Primeiro Emprego" (CPE), após mais um dia de violentos protestos em todo o país. O convite foi feito nesta quinta-feira pelo próprio Villepin. O chefe do governo francês também deverá se reunir com estudantes na semana que vem. Os convites assinalam uma possível flexibilização na posição adotada pelo primeiro-ministro, que parecia intransigente até agora. Cinco organizações sindicais se encontraram nesta quinta-feira para discutir o convite e concordaram em participar da reunião, mas se recusaram a negociar até que o ministro retire a lei. Onda de violência A polícia manteve uma discreta presença durante uma marcha contra o CPE em Paris nesta quinta-feira. No final dos protestos, uma facção radical formada por indivíduos encapuzados ateou fogo em vários veículos na Esplanada dos Inválidos. Alguns dos cerca de 23 mil manifestantes (segundo contagem da polícia) direcionaram a violência para si, batendo e chutando outros manifestantes. Para os organizadores da marcha, cerca de 50 mil pessoas participaram das demonstrações. "O movimento está se destruindo, estamos uns contra os outros", disse um cozinheiro de 25 anos depois de ser agredido durante a marcha de Paris Os agentes da polícia tentaram impedir a ação dos manifestantes, que em pequenos grupos quebravam vidros e retrovisores de dezenas de carros. Centenas de policiais avançavam para tentar fazer com que os jovens recuassem. A ponte Alexandre III foi bloqueada. Dezenas de pessoas ficaram feridas e, segundo a polícia, 140 pessoas foram presas em Paris. Ainda de acordo com a polícia, foram 420 prisões em toda a França. Durante o início da manifestação, na Praça da Itália, também foram registrados incidentes: estudantes foram agredidos e celulares e câmeras de fotógrafos profissionais foram roubadas. A polícia também usou gás lacrimogêneo contra manifestantes em Grenoble. Temendo a renovação da violência, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, advertiu na quarta-feira que aqueles que tomarem parte da violência enfrentariam punições severas. As ameaças não intimidaram alguns manifestantes em Marselha. Os jovens atiravam pedras em policias e seus veículos. A polícia revidou com gás lacrimogêneo. Villepin afirmou que está pronto para discutir modificações no aspecto mais polêmico da lei, o período de dois anos em que o empregado pode ser demitido sem justificativa. O líder da oposição, Francois Bayrou, disse que o ministro deve "colocar tudo na mesa", incluindo a possibilidades de retirar a lei.

Agencia Estado,

23 Março 2006 | 18h10

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