Stefan Wermuth/Reuters
Stefan Wermuth/Reuters

França não irá tolerar 'a banalização do uso de armas químicas', diz Macron

Presidente francês disse que ataque da coalizão ocidental é resposta após governo de Bashar Al-Assad cruzar 'linha vermelha'; Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, diz que 'não havia alternativa' ao ataque

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2018 | 01h22

PARIS – O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a coalizão ocidental formada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido não vai “tolerar a banalização do uso de armas químicas”. O comunicado foi publicado pelo Palácio do Eliseu no início da madrugada deste sábado, 14.

Segundo Macron, os ataques lançados na noite de sexta-feira, 13, “miravam as instalações do regime sírio que permitem a produção e o uso de armas químicas”. Segundo ele, os fatos “não dão margem à dúvida” da responsabilidade do governo de Bashar Al-Assad em um suposto ataque químico contra a cidade de Duma, último reduto rebelde nos arredores da capital síria, Damasco. 

+ Trump ordena ataque à Síria em resposta a uso de armas químicas

A linha vermelha estabelecida pela França em maio de 2017 foi cruzada”, escreveu Macron ao justificar a aliança feita com os Estados Unidos e Reino Unido para o ataque. 

+ Macron diz ter provas de que armas químicas foram usadas em ataque na Síria

Segundo o presidente francês, os países ocidentais vão retomar as conversas diplomáticas na Organização das Nações Unidas (ONU) neste sábado, 14.

+ OTAN declara apoio aos ataques ocidentais contra Síria

 “A França e seus aliados retomarão, ainda hoje, seus esforços nas Nações Unidos para permitir a instauração de um mecanismo internacional para verificar as responsabilidades, prevenir a impunidade e impedir qualquer nova reincidência do governo sírio”, afirmou Macron.

+ Ataque americano 'não ficará sem consequências', diz embaixador russo nos EUA

 

O presidente francês disse que as prioridades da França são acabar com as frentes do Estado Islâmico na Síria, permitir o acesso à ajuda humanitária na região e estabelecer uma resolução pacífica do conflito. “Perseguiremos essas prioridades com determinação nos próximos dias e semanas.”

 

Theresa May: “Não havia alternativa viável” ao ataque

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, divulgou comunicado no qual afirma que “não havia alternativa viável além do ataque” para impedir o uso de armas químicas por parte do regime de Bashar Al-Assad. 

 

Na semana passada, um suposto ataque com gás tóxico contra a cidade de Duma, nos arredores de Damasco, provocou dezenas de mortos. Os países ocidentais culpam o governo sírio e seus aliados, Rússia e Irã, de estarem por trás dos ataques.

+ Trump obtém apoio externo para atacar Síria; Rússia vê risco de guerra

“Nós buscamos todas as possibilidades diplomáticas possíveis, mas nossos esforços foram repetidamente em vão”, diz May, mencionando as reuniões do Conselho de Segurança da ONU realizadas durante a semana. Em uma das tratativas, a Rússia vetou uma proposta de resolução para investigar o suposto ataque químico. “Por isso, não havia alternativa viável além do ataque para impedir o uso de armas químicas pelo regime sírio.”

Segundo May, a retaliação dos países ocidentais não busca deter o regime sírio, mas “mandar um sinal a todos que acreditam que podem usar armas químicas com impunidades”.

+ Por que os moradores de Duma fugiram após o ataque de Assad?

A primeira-ministra britânica disse ainda que o ataque contra Duma não “deveria surpreender ninguém”, pois “o regime sírio tem um histórico de uso de armas químicas contra o seu próprio povo”.

+ Chanceler Aloysio Nunes: “Não há saída para Síria que não seja pela negociação”

“Esse padrão de comportamento precisa ser impedido”, afirmou May. “Não apenas para proteger as pessoas inocentes da Síria das terríveis mortes causadas por armas químicas, como também para impedir violações às leis internacionais que previnem o uso dessas armas.” //AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.