França não vai anular a "lei do véu islâmico"

O governo francês afirmou hoje que não vai revogar a lei que proíbe o uso de artigos religiosos nas escolas do país, a "lei do véu islâmico", como ficou conhecida. A exigência de anulação da norma foi feita pelos seqüetradores dos dois jornalistas franceses no Iraque, Christian Chesnot e Georges Malbrunot.Em entrevista à rede de televisão da França Canal Plus, o porta-voz do governo, Jean-François Cope, disse que o país não vai comprometer seus valores em troca da liberação dos dois profissionais. "A lei [do véu] será aplicada", afirmou. O prazo de 48 horas dado pelos militantes islâmicos para a revogação da lei termina na noite de hoje.A nova lei entrará em vigor em toda a França a partir de quarta-feira, com o início do ano letivo, e proíbe o uso ostensivo de artigos religiosos pelos estudantes nas escolas públicas, como solidéus, cruzes de grande porte e véus islâmicos - tidos pelas autoridades francesas como símbolo do crescimento do fundamentalismo no país. Negociação - O Ministro de Relações Exteriores da França, Michel Barnier, chegou hoje ao Cairo com a missão de obter a liberdade dos dois jornalistas seqüestrados. A viagem faz parte de um tour do ministro pelo Oriente Médio, a fim de explicar aos árabes que a França respeita o Islã. Ele não descartou uma passagem po Bagdá.Para o primeiro-ministro interino do Iraque, Ayad Alaui, a crise com os reféns serviu para provar que a França não está a salvo dos terroristas. Em entrevista ao Le Monde, disse que "A França não está mais segura que a Espanha, a Itália ou o Egito. Os governos que tentam se manter neutros serão os próximos alvos do terrorismo (...) Evitar o confronto não é a resposta".

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