França nega acordo com Chade para soltar 'seqüestradores'

Justiça afirma que país se baseou em 'dossiê judicial'; 17 são acusados de tentar retirar 103 crianças do país

Agências internacionais,

05 de novembro de 2007 | 11h53

A ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, afirmou nesta segunda-feira, 5, que a libertação dos três jornalistas franceses e das quatro aeromoças espanholas no Chade se baseou somente no "dossiê judicial", rejeitando insinuações de que teria havido contrapartidas por parte da França. Os sete europeus libertados fazem parte do grupo de 17 pessoas detidas em Abéché, leste do país, depois que a ONG francesa Arca de Zoé tentou retirar do Chade 103 crianças africanas - que têm entre 1 e 10 anos.  De acordo com a ONG, as crianças eram órfãs do conflito em Darfur e seriam adotadas por famílias européias, mas fontes do governo do Chade afirmam que muitas das crianças são de uma região chadiana próxima da fronteira com o Sudão. Algumas das famílias francesas e belgas que adotariam as crianças disseram ter pagado mais de 2 mil à Arca de Zoé. "Se eles foram libertados é com base no dossiê judicial. Não estamos em outro assunto que não o judicial", disse Dati à emissora "RTL". Em uma viagem-surpresa a Ndjamena no domingo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, conseguiu voltar com os sete acusados liberados dos 17 europeus presos no país. Seis membros da ONG continuam detidos, acusados de seqüestro de menores e fraude, assim como três tripulantes espanhóis do avião fretado para levar as crianças até a França.  Sobre os seis membros da ONG, inclusive o diretor Eric Breteau, a ministra da Justiça disse que sua sorte depende da legislação chadiana. "O Chade é um país soberano. Portanto, a lei chadiana se aplica aos fatos que foram cometidos em seu território", afirmou. O avião oficial de Sarkozy deixou as quatro aeromoças na Espanha na noite de domingo antes de seguir viagem para Paris com os três jornalistas. Na França, tanto a esquerda quanto a extrema-direita acusaram o governo de barganhar com o Chade em troca da libertação dos sete. Sarkozy "teve que conceder algumas contrapartidas" a seu colega chadiano, Idriss Déby, que é "um ditador", disse nesta segunda o deputado Noël Mamere, do Partido Verde. A vice-presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, questionou "quanto custou" a libertação dos jornalistas e considerou que "se deu ou se darão um certo número de contrapartidas ou promessas".

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