Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

França nega que Guaidó esteja refugiado em sua embaixada em Caracas

Posicionamento francês é resposta a afirmação do chanceler venezuelano Jorge Arreaza, que afirmou que Guaidó estaria escondido na embaixada do país

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 08h41

PARIS - A França negou, nesta sexta-feira, 5, que o líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, esteja refugiado em sua embaixada em Caracas. O posicionamento francês ocorre após o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, afirmar que Guaidó estaria escondido no prédio diplomático.

"O senhor Juan Guaió não está na residência da França em Caracas. Confirmamos o fato várias vezes às autoridades venezuelanas", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Agnès von der Mühll.

O chanceler da Venezuela afirmou na quinta-feira que Guaidó estava na embaixada da França. A declaração veio dias depois do presidente chavista Nicolás Maduro insinuar que o parlamentar estaria escondido em na sede diplomática de algum país.

"Nós não podemos entrar na embaixada de nenhum país, neste caso, da Espanha ou da França, e fazer com que a Justiça o leve à força. Não se pode, não se pode", disse Arreaza em uma entrevista na rádio venezuelana, quando uma jornalista perguntou sobre a suposta presença de Guaidó nas dependências francesas, assim como Leopoldo López, opositor histórico do chavismo, que se encontra há mais de um ano na condição de refugiado na residência do embaixador espanhol em Caracas. 

"Esperamos que esses governos se corrijam e entreguem os fugitivos à justiça venezuelana", completou o chanceler. Guaidó é alvo de vários processos judiciais desde que se autoproclamou presidente interino da Venezuela em janeiro de 2019, ainda que não exista nenhum mandado de prisão contra ele.

Relação em crise

A França figura entre os mais de 50 países que reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela em 2019. "Todos os esforços devem concentrar-se agora em encontrar uma solução política para a crise política venezuelana", disse von der Mühll, que pediu que se convoquem novas "eleições livres e transparentes" para "por fim ao sofrimento do povo venezuelano."

"Junto à União Europeia e seus associados internacionais, a França convoca todos os atores venezuelanos, em particular as autoridades, para que se estabeleçam negociações", disse.

Em 13 de maio, a França condenou o tratamento dado pelas autoridades venezuelanas ao embaixador francês em Caracas, Romain Nadal. Desde 2 de maio, policiais vigiam a rua onde se encontra a residência do embaixador, que não tem fornecimento de água e nem de eletricidade desde então./ AFP

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