Etienne Laurent/EFE
Etienne Laurent/EFE

França oficializa Guarda Nacional

Grupo formado por ex-militares e policiais tem o objetivo de reforçar a segurança no país após os ataques terroristas deste ano e de 2015

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2016 | 21h09

O governo da França oficializou ontem a criação da Guarda Nacional, uma tropa formada por reservistas das Forças Armadas e das polícias civil e militar que reforçarão o efetivo de vigilância de pontos considerados sensíveis a atentados terroristas, como redes de transporte, prédios públicos e pontos turísticos. 

Mais de 70 mil guardas farão parte do dispositivo, que estará nas ruas em 2017. A apresentação da nova força foi feita pelo presidente francês, François Hollande, em reunião do Conselho de Ministros, e corresponde a uma promessa feita após os atentados de 13 de novembro.

O objetivo da Guarda Nacional é aliviar a pressão que pesa sobre militares, policiais civis e militares desde os atentados de janeiro de 2015, quando o nível de alerta foi elevado. 

Desde 14 de novembro, um dia após os múltiplos ataques de Paris, a França vive em estado de emergência – o que na prática significa a mobilização máxima dos efetivos das forças de ordem. O grau de esforço exigido de policiais e soldados, entretanto, é pesado em razão da carga horária elevada e dos poucos dias de repouso. 

Ciente do estresse causado pela vigilância permanente, o Ministério do Interior confirmou ontem a criação da Guarda Nacional. A tropa será formada por 9,25 mil reservistas mobilizados todos os dias, em um total de 72 mil pessoas selecionadas até 2017 e 85 mil em 2018.

 

O treinamento será reforçado e, uma vez que estejam preparados, os novos recrutas oriundos da sociedade civil participarão de ações de reforço da segurança pública, como patrulhas, investigações, auxílio a socorristas do Corpo de Bombeiros ou do Serviço de Atendimento Médico de Urgência ou prestação de consultoria em temas que exijam expertise específica. 

Os voluntários serão escolhidos entre aqueles com idade mínima de 17 anos, e terão contratos temporários de duração que poderão ir de um a cinco anos.

A Guarda Nacional será comandada por um general, o secretário-geral Gaëtan Poncelin de Raucourt, e seu uniforme será reconhecível por um distintivo específico, diferente das demais corporações de segurança do país. 

O projeto será financiado por recursos públicos – € 311 milhões até 2017 –, que serão usados no pagamento de salários e vantagens aos civis que se engajarem na segurança pública. 

Os incentivos vão de descontos para o pagamento de cursos de formação de motoristas até remuneração específica por número de dias de trabalho, e redução de impostos e encargos salariais – até 60% – para empresas que cederem funcionários ao engajamento.

Reação. Desde os atentados de janeiro, principalmente após os ataques de 13 de novembro do ano passado, em Paris, e de 14 de julho, em Nice, cometidos em nome do grupo terrorista Estado Islâmico, a França vê um forte aumento do número de cidadãos que vêm se inscrevendo para serviços voluntários, até mesmo para a Guarda Nacional. De acordo com o Ministério do Interior, o número de inscritos quadruplicou nos últimos meses.

A maior parte respondeu ao chamado das autoridades públicas. Após o 13 de novembro, o presidente Hollande chegou a convocar a população para formar uma Guarda Nacional na luta antiterrorismo.

 

Segundo dados governamentais, 44% dos inscritos em 2015 e 2016 são membros da sociedade civil, enquanto 33,5% são ex-militares das Forças Armadas e da polícia. 

Um efetivo experimental estimado em 5,5 mil pessoas já trabalha no reforço da segurança desde o atentado de Nice, quando um homem usou um caminhão para atropelar centenas de pessoas, deixando 86 mortos e 434 feridos. 

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