França pede que Brasil mude posição sobre Síria na ONU

O representante da França na ONU recorreu ao Brasil nesta segunda-feira para que apoie o projeto de uma resolução europeia que condena a Síria por sua sangrenta repressão a manifestantes contrários ao governo.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

13 de junho de 2011 | 20h03

O Brasil, assim como Índia e África do Sul, expressou restrições à resolução preparada por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal. Rússia e China sugeriram que poderão vetar o texto.

O resultado, disseram diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU), é um impasse no Conselho de Segurança composto por 15 países. Permanece incerto quando, e se, os europeus vão colocar o documento em votação.

"O governo brasileiro denunciou o uso da força na Síria e exigiu que um processo político respondesse às aspirações do povo sírio", afirmou o embaixador francês Gerard Araud ao jornal O Estado de S.Paulo.

"Esperamos sinceramente que o voto do Brasil reflita esse apoio às aspirações democráticas do povo árabe", disse ele, de acordo com trechos da entrevista divulgados pela missão da França na ONU.

Araud disse que o projeto de resolução "não tem outro objetivo a não ser encorajar as autoridades sírias a considerar as aspirações de seu povo e lançar um diálogo político nacional sem interferência estrangeira."

"Para que isso aconteça, a violência tem que acabar", acrescentou Araud.

Diplomatas do Conselho de Segurança se reuniram no sábado na expectativa de superar o impasse sobre o projeto de resolução. O documento não iria impor sanções à Síria, mas condená-la pela repressão e sugerir que as forças de segurança sírias poderiam ser culpadas por crimes contra a humanidade.

Rússia e China não apareceram para a reunião, disseram diplomatas.

IMPASSE

Na semana passada, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse a repórteres em Nova York que a resolução condenando a Síria poderia inflamar as tensões na região.

Diplomatas ocidentais sugeriram que Rússia e China estão usando as posições dos outros membros dos Brics -- Brasil, Índia e África do Sul -- como pretexto para possivelmente vetar a resolução europeia.

"A (discussão) síria é um impasse, com Rússia e China se escondendo atrás de Índia, Brasil e África do Sul", disse à Reuters um diplomata ocidental. "Vergonha absoluta."

Se Brasil, Índia e África do Sul mudarem suas posturas sobre a resolução e concordarem em votar a favor, Rússia e China podem mudar suas posições, afirmou o diplomata.

Potências ocidentais, segundo outro diplomata, estão usando canais bilaterais para pressionar Brasil, Índia e África do Sul a votar pelo texto da resolução.

A Rússia afirmou que uma ação contra a Síria por parte do Conselho de Segurança abriria caminho para uma intervenção do Ocidente como aquela que acontece na Líbia.

A ONU não está patrocinando a resolução síria, mas deixou claro que apoia o texto e condena a violência contra manifestantes. No sábado, a entidade acusou o governo da Síria de criar "uma crise humanitária" e exigiu que o país acabasse com sua ofensiva.

Devido às complicadas relações do Líbano com sua vizinha Síria, diplomatas disseram esperar que o país votaria contra a resolução.

Para serem aprovadas, resoluções precisam de nove votos a favor e de nenhum veto dos cinco membros permanentes: Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos.

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