Sameer Al-Doumy / AFP
Sameer Al-Doumy / AFP

França pede que Itália não se intrometa nos protestos dos 'coletes amarelos'

Ministra francesa de Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau, diz que cada país deve ter como prioridade o bem-estar e o futuro de seus cidadão e pede que dirigentes italianos respeitem Paris por serem 'vizinhos, aliados e amigos'

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2019 | 11h34

BRUXELAS - A ministra de Assuntos Europeus da França, Nathalie Loiseau, pediu à Itália nesta terça-feira, 8, que não se intrometa em assuntos internos, depois de os dois vice-presidentes italianos expressarem seu apoio aos "coletes amarelos".

"Cada governo tem como prioridade ocupar-se do bem-estar e do futuro de seus próprios compatriotas, portanto penso que a prioridade do governo italiano é ocupar-se do bem-estar do povo italiano. Não tenho certeza que interessar-se pelos 'coletes amarelos' tenha a ver com o bem-estar do povo italiano", afirmou Nathalie ao chegar a uma reunião de ministros em Bruxelas.

A ministra francesa disse ter escutado "muito" o governo italiano do antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S) e da ultradireitista Liga pedir "respeito à maneira como dirige o seu país", em referência às declarações do Executivo durante seu enfrentamento com a Comissão Europeia depois que Bruxelas rejeitou os orçamentos da Itália para 2019.

"Acredito que esse respeito é devido, mas se deve a qualquer país, sobretudo, quando somos vizinhos, aliados e amigos", destacou Nathalie, acrescentando que durante a reunião desta terça em Bruxelas abordaria a questão com o ministro das Relações Exteriores italiano, Enzo Moavero Milanesi.

Na segunda-feira, os dois vice-presidentes do governo da Itália, Luigi Di Maio e Matteo Salvini, líderes do M5S e da Liga, respectivamente, expressaram seu apoio aos coletes amarelos da França.

Di Maio foi quem mais falou sobre estes protestos no país vizinho e, em artigo no seu blog, encorajou os coletes amarelos a "não se render, pois uma nova Europa está nascendo".

"Tanto na França como na Itália a política tem se tornado surda às exigências dos cidadãos, excluídos das decisões mais importantes que afetam o povo. O grito que se eleva forte das ruas franceses é, definitivamente, 'deixe-nos participar'", escreveu.

Di Maio lembrou que o "espírito" dos protestos na França é "o mesmo" que resultou, em 2009, na fundação do M5S na Itália. / EFE

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