REUTERS/Stephane Mahe/File Photo (15/03/2021)
REUTERS/Stephane Mahe/File Photo (15/03/2021)

França decreta terceiro lockdown devido a sobrecarga em hospitais

Presidente Emmanuel Macron confirma novas restrições em discurso nesta quarta-feira, 31, em razão do aumento drástico de infecções em todo o país e superlotação de hospitais em Paris

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2021 | 10h00
Atualizado 01 de abril de 2021 | 11h30

PARIS - Mais de um ano depois de o governo da França ordenar seu primeiro bloqueio nacional para combater a pandemia de covid-19, as autoridades do país agora tiveram pouca escolha a não ser fazer o mesmo, à medida que as infecções aumentam drasticamente em todo o país e hospitais em Paris estão superlotados.

Em um discurso nesta quarta-feira, 31, o presidente Emmanuel Macron anunciou novas restrições trazendo um terceiro lockdown nacional, que ele há muito tentava evitar. O governo prorrogará, a partir de sábado, as medidas contra a covid-19 já vigentes em 19 departamentos a todo o país, durante quatro semanas. 

Entre estas medidas está o fechamento de comércios não essenciais e a proibição de deslocamento por mais de 10 km. Escolas até o ensino médio vão fechar na próxima segunda-feira no mínimo por três semanas, acrescentou Macron.

A França relatou na terça-feira mais de 5 mil pessoas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) pela primeira vez desde abril passado, com a falta de leitos em hospitais nas áreas mais afetadas se agravando. E a lenta vacinação no país não evitou uma explosão de infecções, já que uma média de cerca de 37 mil novos casos diários foram relatados na semana passada.

"As perspectivas são piores do que assustadoras", disse Jean-Michel Constantin, chefe da unidade de terapia intensiva do hospital Pitié-Salpêtrière em Paris, à rádio RMC na segunda-feira. "Já estamos no nível da segunda onda e rapidamente chegando perto do limiar da primeira onda", disse ele. "Abril vai ser terrível."

Nesta quarta-feira, Macron anunciou que vai aumentar o número de leitos de UTI de 7.655 para 10 mil. 

Ao mesmo tempo, o governo quer começar a vacinar os maiores de 60 anos a partir de 16 de abril e os maiores de 50 anos a partir de 15 de maio. O presidente francês, em baixa nas pesquisas e enfrentando as eleições presidenciais no ano que vem, admitiu ter "cometido erros" no gerenciamento da crise.

 Novas restrições foram adotadas em nível regional em meados de março em uma tentativa de evitar uma terceira onda de infecções, afetando cerca de um terço da população, incluindo a região de Paris.

As regras forçaram o fechamento de empresas consideradas não essenciais, ordenaram aos residentes que limitassem suas atividades ao ar livre a locais a menos de dez quilômetros de suas casas e proibiram viagens de ida e volta para regiões onde as infecções estavam aumentando.

Mas, à medida que as infecções seguiam aumentando, a pressão cresceu sobre Macron para implementar medidas mais duras. Em artigo no Le Journal du Dimanche, 41 médicos da região de Paris alertaram que os hospitais podem ficar tão sobrecarregados em breve que terão de escolher quais pacientes tentarão salvar.

"Todos os indicadores mostram que as medidas atuais são e serão insuficientes para reverter rapidamente a alarmante curva de contaminações", escreveram.

No fim de janeiro, Macron fez uma aposta calculada de resistir a um novo bloqueio nacional, na esperança de que seu governo pudesse apertar as restrições apenas o suficiente para combater o aumento das infecções.

Essa estratégia parecia estar funcionando até meados de março, quando as infecções aumentaram drasticamente e a campanha de vacinação não ganhou velocidade, em meio à confusão da União Europeia com a AstraZeneca.

As autoridades de saúde disseram na terça-feira que cerca de 8,3 milhões de pessoas receberam pelo menos uma primeira injeção da vacina contra o coronavírus, ou cerca de 12% da população total. O governo planeja vacinar 10 milhões de pessoas até meados de abril e 30 milhões até o verão.

Mas a França ainda está atrás de alguns outros países ocidentais em sua campanha de vacinação. O Reino Unido vacinou 46% de sua população e os Estados Unidos 29%, de acordo com dados da Universidade de Oxford.

Muitos médicos e epidemiologistas estão pedindo um bloqueio comparável ao do início de 2020, quando as autoridades aplicaram algumas das restrições mais rígidas da pandemia de covid-19 na Europa, ordenando que as pessoas permanecessem dentro de casa, exceto para necessidades essenciais.

As escolas, que a França manteve abertas desde junho passado, ao contrário de muitos de seus vizinhos, também podem ser forçadas a fechar, já que o vírus está se espalhando cada vez mais nas salas de aula./ NYT e AFP 

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