França pode viver terça-feira "negra" contra o CPE

A França se prepara para uma terça-feira "negra" no transporte público, no ensino e em outros setores, em mais um dia de greves e manifestações convocadas por sindicatos e organizações de estudantes. Os líderes sindicais acreditam que a ação nacional será um ponto definitivo na luta contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE) para jovens. Algumas organizações estudantis pediram a renúncia do primeiro-ministro Dominique de Villepin. O líder do principal sindicato de estudantes (Unef), Bruno Julliard, disse nesta segunda-feira que não apóia o pedido da coordenação de estudantes (estrutura paralela aos sindicatos estudantis) para que Villepin renuncie, e não quer "nem vencedor, nem vencidos". Na terça-feira, a atenção se voltará para a adesão às greves e para a participação nas 135 manifestações convocadas - a principal em Paris, à tarde -, em meio ao temor de que se repitam as cenas de violência vistas na quinta-feira passada na capital. As forças de segurança, que se preparam para os piores cenários - já que cada vez mais elementos violentos dos bairros conflituosos aproveitam os protestos para roubar, saquear e incendiar carros -, multiplicarão os controles preventivos para impedir a entrada em Paris de pessoas que possam cometer atos violentos. O secretário-geral da central sindical FO (Force Ouvrière), Jean-Claude Mailly, disse que os avisos de greve superam os emitidos durante os protestos contra a reforma da Previdência Social, em 2003. "A luta anti-CPE já dura dois meses e passamos de um conflito clássico a uma crise profunda", afirmou Mailly. Paralisação A greve convocada por sete dos oito sindicatos da empresa nacional de ferrovias, a SNCF, começa nesta segunda às 20h, 15h em Brasília, e termina na quarta-feira, às 8h, 3h em Brasília. Quase todos os trens internacionais devem circular na terça-feira, mas a SNCF prevê que apenas dois em cada três trens de alta velocidade - 40% dos regionais e 51% nos subúrbios de Paris - funcionarão normalmente. Na capital, um em cada dois metrôs e dois em cada três ônibus circularão, mas haverá uma grande redução no tráfego dos trens de subúrbio. Há avisos de greve no transporte urbano em pelo menos outras 76 cidades francesas. No transporte aéreo, vôos podem sair com atraso ou até mesmo serem cancelados. O ensino pode ser a área mais afetada pelas greves em relação ao funcionalismo público, mas também pode atingir correios, telecomunicações e Fazenda, enquanto os jornais nacionais não serão editados e haverá interrupções nos meios de comunicação públicos. Desaprovação Uma pesquisa divulgada pelo jornal Le Monde mostra que 63% dos franceses desaprovam a decisão do primeiro-ministro de manter o CPE, destinado às pessoas com menos de 26 anos e que permitirá que o empregador demita o jovem sem justificativa durante os dois primeiros anos de experiência. Trata-se de uma rejeição superior à registrada em 1995 contra a reforma da Previdência Social promovida pelo conservador Alain Juppé, que, após semanas de greves, suspendeu a reforma. O primeiro-ministro francês promoveu o CPE sem chegar a um acordo com outros grupos e, apesar de até agora ter recebido o apoio de seu mentor, o presidente Jacques Chirac, sua estratégia na crise foi questionada na UMP, inclusive por Sarkozy, seu provável adversário nas eleições presidenciais de 2007.

Agencia Estado,

27 Março 2006 | 14h56

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