França precisa retomar comando da Otan, diz Sarkozy

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu rigorosamente sua intenção de fazer a França retornar ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) após 43 anos e insistiu que manter o país fora dos altos escalões da aliança por mais tempo poderia enfraquecer a França. Sarkozy disse que vai escrever para os membros da Otan para anunciar sua decisão após um debate na próxima semana no Parlamento francês. A iniciativa do líder francês para pôr fim às diferenças com os Estados Unidos sobre sua participação na Otan estimulou velhas e violentas discussões entre legisladores da esquerda e conservadores, que temem que uma relacionamento mais próximo com a aliança liderada pelos norte-americanos poderia limitar a cultivada habilidade da França em agir independentemente no âmbito mundial. Em discurso hoje, porém, Sarkozy insistiu que a "independência da França não está em questão" - uma clara mensagem às críticas domésticas - e disse que a França irá manter o controle sobre seu arsenal nuclear. Sarkozy lamentou o fato de que a França não tenha maior comando na Otan, que não tenha participado na definição de estratégias de alto nível ou de objetivos militares mesmo que tenha tropas sob o comando da aliança. A líder do Partido Socialista, Martine Aubry, disse nesta quarta-feira que "nada" justifica o que ela chamou de rápida busca por laços mais próximos com a Otan.A França é membro da Otan, mas permaneceu fora das decisões centrais da aliança por décadas. "Chegou a hora de colocar um fim a esta situação", disse ele, argumentando que novos tratados requerem maior cooperação militar internacional, não menor. "Isso é do interesse da França e da Europa. Ao concluir este longo processo, a França será mais forte e mais influente". Atualmente, a França está entre os cinco principais contribuintes das operações da aliança militar e o quarto doador para os orçamentos das operações da Otan. Ao retornar plenamente para a Otan, a França espera receber dois postos de comando. Um em Norfolk, Virgínia, responsável pela definição da transformação estratégica da aliança e outro em Lisboa, Portugal.

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