MIGUEL MEDINA/AFP
MIGUEL MEDINA/AFP

França prende islamista e desmonta plano de novo atentado em Paris

Ministério do Interior afirmou que jovem argelino de 24 anos reuniu arsenal e pretendia atacar duas igrejas na capital; suspeito queria viajar à Síria e juntar-se ao Estado Islâmico

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2015 | 09h59

PARIS - Um homem de 24 anos de origem argelina foi preso nesta quarta-feira, 22, pela polícia da França por preparar atentados terroristas iminentes "contra uma ou duas" igrejas em Paris. Com o suspeito foi apreendido um verdadeiro arsenal, com armas pesadas e colete à prova de balas. O jovem era monitorado pelos serviços secretos desde que revelou a intenção de partir para a Síria para se unir ao grupo terrorista Estado Islâmico. 

O islamista radical também é suspeito de ter sido o autor de um latrocínio na semana passada, quando teria roubado o carro de uma jovem de 32 anos com o objetivo de usá-lo na ação terrorista. No assalto, ele acabou ferido, o que permitiu à polícia chegar à sua identificação. Para garantir o sigilo da investigação, o Ministério do Interior ainda não divulgou o nome do suspeito, mas se trata, segundo o ministro Bernard Cazeneuve, de um imigrante argelino, estudante de informática.


O plano de atentado começou a ser descoberto no domingo, por volta 9h, quando o jovem telefonou ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) para receber socorro por um ferimento à bala em uma das pernas. O estudante perdia muito sangue e afirmou aos socorristas ter sido vítima de um disparo de arma de fogo. No apartamento do jovem, situado no sudeste da capital, os enfermeiros não apenas encontraram o jovem, como também chamaram a polícia.

Os investigadores seguiram um rastro de manchas de sangue que os levou a um veículo, no qual descobriram um fuzil AK-47, uma pistola, um colete à prova de balas, munição, um giroflex da polícia, computador e telefones celulares. Interpelado, ele reconheceu se tratar de seu automóvel. "Na busca em seu apartamento, foi possível estabelecer sem dúvida alguma que o indivíduo projetava um atentado iminente, ao que tudo indica contra uma ou duas igrejas", afirmou Cazeneuve. De acordo com o ministro, o jovem já havia sido interpelado pela polícia no ano passado e, desde então, passou a ter suas comunicações vigiadas pelos serviços secretos. Seu nome também constava do chamado Arquivo S, como é chamado o arquivo de "Segurança do Estado" do Ministério do Interior, onde são registradas informações de potenciais terroristas.

Segundo o primeiro-ministro, Manuel Valls, o caso confirma que a França está em diante de uma ameaça terrorista "sem equivalente". "Os terroristas nos têm como alvo com o objetivo de nos dividir", afirmou o premiê, ao término de uma reunião de ministros comandada pelo presidente François Hollande, no Palácio do Eliseu. "Nosso país, como aconteceu com outros nas últimas semanas, enfrenta uma ameaça terrorista sem equivalente consideradas a sua natureza e sua amplitude", advertiu Valls.

O suposto plano de atentado lembra os cometidos em 7, 8 e 9 de janeiro pelos irmãos Kouachi, contra o jornal satírico Charlie Hebdo, e por Amedy Coulibaly contra policiais da cidade de Montrouge e contra um supermercado judaico de Paris. Os ataques deixaram 17 pessoas mortas, além dos três extremistas islâmicos, mortos pela polícia. Desde então, Paris está em estado de alerta máximo contra atos terroristas.

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