França prende membros de rede terrorista

Sete militantes islâmicos detidos no dia 21 de setembro e indiciados hoje pela Justiça francesa, além de outros quatro presos na madrugada pela DST (serviço francês de contra-espionagem), em Paris e nos subúrbios, faziam parte de um grupo terrorista, o Takfir wal-Hijra, de origem egípcia, próximo da rede de Osama bin Laden, segundo revelam as autoridades. Elas estão convencidas de ter desmantelado um importante grupo de apoio logístico que vinha efetuando levantamentos sobre possíveis alvos de atentados antiamericanos, na França e outros países europeus. Entre eles, cita-se a própria embaixada dos Estados Unidos na capital francesa, localizada em plena Place de La Concorde. Essas detenções só foram possíveis graças às declarações prestadas pelo franco-argelino Djamel Beghal, detido desde o fim de julho em Dubai, nos Emirados Árabes, e prestadas ao juiz antiterrorista de Paris, Jean Louis Bruguière. Ele viajou aos Emirados unicamente para interrogá-lo. Djamel Beghal, 35 anos, é tido como chefe do grupo terrorista e cabeça dessa organização que começava a agir na Europa. Nas suas declarações apontou nomes não apenas na França, mas também na Bélgica e Holanda.As primeiras prisões, efetuadas na sexta-feira, alertaram alguns dos militantes islâmicos, que destruíam documentos, disquetes de computadores e números de telefones celulares, no momento em que foram detidos. Todos estavam perfeitamente sintonizados com os suspeitos citados pela polícia na Holanda, cuja missão era cuidar dos explosivos e armas para os atentados que seriam cometidos na França. Na Bélgica, a polícia descobriu, no apartamento de um militante islâmico, produtos químicos e uma ampla documentação contendo fórmulas químicas, instruindo sobre a fabricação de bombas. Segundo a polícia francesa, o grupo desmantelado estava muito bem estruturado, e cada um dos membros dessa organização aguardava apenas o retorno de Djamel Beghal para deflagrar uma campanha de atentados em solo francês. Esse terrorista chegou a efetuar diversos estágios em campos de treinamento financiados por Osama bin Laden, no Afeganistão. Suas declarações à polícia permitiram, além dessas prisões, manter sob estreita observação outras 50 pessoas, só no território francês. Os atentados cometidos nos Estados Unidos fizeram com que as autoridades policiais da Bélgica e Holanda decidissem acelerar suas investigações e iniciassem uma série de detenções, mesmo contra a orientação da policia francesa. Essa pretendia ganhar mais tempo para reunir um maior número de elementos materiais, além de identificar mais pessoas envolvidas.O Takfir wal-Hijra, mais conhecido simplesmente como "O Takfir?, é um movimento extremista sunita e de origem egípcia. Seu fundador é Chukri Ahmed Mustapha, seguidor do pensamento mais radical entre os "Irmãos Muçulmanos", representado por Sayyid Qotb, enforcado em 1966. Os membros dessa organização julgam-se os únicos verdadeiros muçulmanos. Para eles, todo pecado conduz automaticamente à exclusão da comunidade dos fiéis. O Takfir foi responsável pelo seqüestro e assassinato, em 1977, do ministro dos Bens Religiosos do Egito, xeque Dhahabi. Diversos de seus dirigentes foram presos e rapidamente condenados, alguns a pena de morte, sendo executados na forca, como foi o caso de Mustapha. Mesmo depois de sua morte, sua influência chegou até a Argélia, onde uma das vertentes do GIA , Grupo Islâmico Armado, assumiu seu nome. Na França, o recrutamento de militantes se desenvolve principalmente junto a argelinos mais radicais, mas a maior parte dos muçulmanos franceses considera esse grupo como uma seita incontrolável. A França congelou os primeiros 4 milhões de dólares de fundos pertencentes a organizações citadas pelo presidente George Bush como financiadoras do terrorismo. Esse é apenas o inicio de uma operação mais ampla, segundo revelou o ministro de Finanças, Laurent Fabius.

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