França pressiona China por apoio a sanções contra Irã

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, viajará para Pequim amanhã com esperanças de obter o apoio da China a mais sanções contra o Irã. Os dois líderes, cujos países são membros permanentes do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), deverão discutir a questão iraniana, entre outros temas, na visita de três dias que Sarkozy fará à China.

AE-AP, Agência Estado

27 de abril de 2010 | 16h17

Três membros permanentes do CS da ONU - Estados Unidos, França e Grã-Bretanha - estão pressionando por uma quarta rodada de sanções contra o Irã na ONU, por causa da recusa da república islâmica em suspender o seu programa nuclear. O Irã diz que quer apenas dominar a tecnologia para produzir energia nuclear.

A China e a Rússia - também membros permanentes do CS - têm laços comerciais importantes com o Irã e relutam em apoiar novas sanções. "As conversas continuam", disse o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, em coletiva de imprensa. "A França espera chegar rapidamente a um resultado".

Analistas políticos, contudo, dizem que a França pode não estar sendo realista. "Eu não vejo nenhum ponto de convergência", disse Willem van Kemenade, um analista independente sobre assuntos chineses, que estuda a relação entre o país asiático e o Irã.

A China concordou em conversar sobre uma nova rodada de sanções. Mas Pequim depende do Irã para o fornecimento de 11% do seu suprimento de energia e, no ano passado, virou o maior parceiro comercial de Teerã. A França tem pedido "as mais fortes sanções possíveis" contra o Irã. Outro funcionário francês lembrou que a China também era contrária à terceira rodada de sanções contra o Irã, mas na última hora decidiu apoiá-las.

Enquanto a China se mantém publicamente à distância da quarta rodada de sanções, a França aposta que Pequim novamente apoiará as medidas na última hora. O funcionário falou sob anonimato.

A visita de Sarkozy à China não tem apenas como objetivo discutir o Irã. Em 2008, as relações entre a França e a China sofreram um abalo por causa do Tibete. Por isso, a viagem do presidente francês também é vista como uma volta das relações diplomáticas saudáveis entre os dois países.

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