França quase capturou Bin Laden, diz documentário

Um documentário que vai ao ar em 2007 diz que forças especiais francesas puseram os olhos sobre Osama bin Laden em duas ocasiões há cerca de três anos, mas seus superiores norte-americanos não deram a ordem para disparar.Militares franceses disseram que os incidentes não aconteceram e que o filme se baseia em "informações errôneas."A Reuters teve acesso nesta terça-feira ao documentário, intitulado Bin Laden, os fracassos de uma caçada humana, dos jornalistas Emmanuel Razavi e Eric de Lavarene, que trabalharam para vários órgãos franceses no Afeganistão. Um canal a cabo pretende exibi-lo em março.O filme afirma que as tropas francesas no Afeganistão tiveram a oportunidade de matar o líder da Al-Qaeda, mas não receberam ordens para isso, talvez porque o pedido tenha demorado demais."Em 2003 e 2004 tivemos Osama bin Laden sob nossos olhos. O atirador disse: ´Tenho Bin Laden"´, diz um soldado francês, não identificado.Razavi disse que o soldado contou à equipe que a comunicação levou cerca de duas horas para chegar aos oficiais norte-americanos que poderiam autorizar os disparos, mas que "houve hesitação no comando."De acordo com Razavi, várias fontes lhe informaram que as aparições estiveram separadas por seis meses, mas não quiseram dar mais detalhes.Chistophe Prazuck, porta-voz das Forças Armadas francesas, disse que o episódio descrito no filme "nunca aconteceu."Bin Laden, mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, está supostamente escondido nas montanhas da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.ContingenteA França tem cerca de 200 soldados de elite operando sob comando norte-americano nessa região. Paris anunciou no domingo que vai retirar os soldados no começo de 2007.As forças especiais francesas foram deslocadas em 2003 para reforçar a Operação Liberdade Duradoura, a campanha militar dos EUA contra a Al-Qaeda e o regime islâmico do Taleban depois do 11 de Setembro.Afegãos ouvidos no documentário disseram acreditar que os EUA não estavam interessados em localizar Bin Laden, apesar de oferecerem 25 milhões de dólares por sua morte ou captura.O documentário não chega a tal conclusão, mas levanta questões sobre a caçada norte-americana a Bin Laden, como, por exemplo, a possibilidade de Washington estar mais preocupado em preservar a estabilidade no Paquistão, onde muitos apóiam Bin Laden, ou em encontrá-lo.Em setembro, o presidente dos EUA, George W. Bush, qualificou de "lenda urbana" a idéia de que seu governo havia deixado em segundo plano a busca pelo militante de origem saudita.

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