França quer cessar-fogo antes de enviar força de paz ao Líbano

O ministro das Relações Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, insistiu neste sábado no cessar-fogo como condição prévia para o envio de uma força internacional à fronteira entre o Líbano e Israel.Em entrevista coletiva, Douste-Blazy também lamentou que Israel não tenha aceitado a trégua humanitária no Líbano pedida pelo subsecretário-geral de Assuntos Humanitários da ONU, Jan Egeland, e disse que iria intervir junto às autoridades israelenses para conseguir essa pausa nas operações, posto que "a situação humanitária ficou extremamente preocupante".O diplomata francês declarou que a divergência com Washington não é o desarmamento do Hezbollah, mas como fazer isso.Douste-Blazy lembrou que a França apresentará um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU "nos próximos dias" cujo conteúdo pretende ser "uma saída duradoura para a crise", garantindo a Israel seu "direito imprescritível à segurança", solicitando a libertação de seus soldados nas mãos do Hezbollah e determinando a criação de uma zona de segurança na fronteira com o Líbano.Em relação ao Líbano, o texto pedirá o restabelecimento da autoridade do Governo libanês em todo o país e tentará alcançar uma solução para os presos libaneses e o litígio sobre as fazendas de Chebaa.O ministro francês disse que em sua recente viagem pelo Oriente Médio pôde constatar "uma radicalização das opiniões públicas de um e outro lado" que pode levar "a um conflito de culturas, de civilizações". Daí a necessidade de um cessar-fogo e de um acordo político.Douste-Blazy também descreveu a situação humanitária do Líbano: 800 mil deslocados, 210 mil refugiados no estrangeiro, 50 mil casas destruídas, mil feridos e o risco de falta de produtos petroleiros em duas semanas.ProvocaçãoA ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, pediu à França que aplique sobre o terreno a resolução da ONU que determina o desarmamento do Hezbollah e, assim, "termine seu magnífico trabalho no Líbano".Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal francês "Le Figaro", Livni, que elogia o papel de Paris na democratização do Líbano, lembra que "não foi Israel que tomou a iniciativa da resolução 1559, mas a França""Se hoje há em Beirute um Governo democrático livre da tutela síria, isso se deve, em grande parte, ao apoio francês", declara a chefe da diplomacia israelense, que pediu "que a França termine seu magnífico trabalho no Líbano aplicando sobre o terreno a resolução" que promoveu.Na entrevista, a ministra ressalta que o "Hezbollah é uma ferida para o Líbano, já que não é mais que o braço armado do Irã no Oriente Médio", e que a milícia não se preocupa com os interesses do Líbano, posto que é "uma marionete" manipulada por Teerã.Sobre a Conferência de Roma, Livni diz que prefere ver seu "lado bom" e, em particular, que lá "lembraram da necessidade de uma aplicação plena e completa da resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU".Quanto aos corredores humanitários, Livni declarou que Israel os aceita: "Não guerreamos contra o Líbano, seu Governo ou sua população civil. Não fazemos mais que lutar contra o Hezbollah".A respeito do envio de uma força internacional na fronteira entre o Líbano e Israel, a ministra respondeu que Israel, "por princípio, prefere defender-se sozinho".No entanto, devido ao fato de "o Governo libanês e seu Exército serem muito fracos para desarmar o Hezbollah e assumir o controle de suas fronteiras, somos a favor do princípio de uma força internacional que viria ajudar o Governo libanês a aplicar sobre o terreno a resolução 1559", concluiu.

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