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França quer dobrar o número de estudantes estrangeiros no país

A França tem sido o país em terceiro lugar no acolhimento de alunos vindos do exterior, depois de EUA e Reino Unido. Mas agora a Austrália avançou e veio para o terceiro lugar. A França passou para quarto lugar.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2018 | 05h00

A França está preparando uma ação ambiciosa para aumentar o número de estudantes estrangeiros matriculados em suas universidades. A França tem sido o país em terceiro lugar no acolhimento de alunos vindos do exterior, depois de EUA e Reino Unido. Mas agora a Austrália avançou e veio para o terceiro lugar. A França passou para quarto lugar.

Os EUA recebem 907 mil estudantes estrangeiros, o Reino Unido, 438 mil, e a Austrália atrai 294 mil. Em seguida vem a França, com 239 mil, batendo a Alemanha (238 mil) e a Rússia (226 mil).

A meta fixada por Paris é dobrar o número de estudantes estrangeiros na França (500 mil) e chegar ao nível do Reino Unido. É uma ótima ideia. Mas os meios escolhidos para alcançar esse “grande salto” são, em princípio, desconcertantes.

As taxas das universidades serão aumentadas, e não moderadamente. Alguns estudantes estrangeiros devem ver os valores multiplicados por 15. E esse preço exagerado cairia primeiro sobre a cabeça daqueles que não têm o prazer extremo de fazer parte da União Europeia. Os alunos vêm principalmente da África, o continente mais pobre e no qual a cultura e o idioma franceses são os mais difundidos, porque boa parte deles são originários de antigas colônias francesas.

A ideia é atrair jovens estrangeiros com o aperfeiçoamento das estruturas universitárias francesas: anfiteatros superlotados, bibliotecas raras e fantásticas. O problema é que essas melhorias serão pagas pelo aumento severo em custos. Sim, diz a universidade, mas vamos desenvolver o número e quantidade de “bolsas de estudo” para alunos menos favorecidos.

Outro argumento: para que as escolas francesas sejam atraentes, é necessário oferecer estudos de alto nível. A França deve elevar seus ensinamentos. E este outro argumento, às vezes justificado e um pouco triste: para que um produto seja desejado, a melhor maneira é cobrar caro. Todos os varejistas de luxo (estilistas, designers, vendedores de quadros) conhecem esta lei de cor. Então vamos acabar com essa conclusão ousada: para atrair massas de estudantes, o melhor meio é fazê-los pagar muito caro pela modernização multiplicando por 15 o preço de seus estudos.

Dessa forma, flertamos com “o paradoxo”, mas há alguma verdade nessas alegações. Acrescento, seguindo observações pessoais, como na sequência do lindo mês de maio de 68, e intoxicado pelo “lirismo terceiro-mundista”, os professores esquerdistas muitas vezes distribuíram aos estudantes vindos da África ou países emergentes estudos “com desconto”, coroando-os depois de três anos de alto voo e de diplomas enfáticos e imerecidos. Tudo isso pela “boa causa”, pelo desenvolvimento dos povos outrora oprimidos. 

Este é um raciocínio lamentável. Mais sábio, generoso e eficaz seria apostar na carta da excelência e não na da mediocridade.

Um elemento também deve ser levado em conta nesta tabela: a vida em Paris é extremamente cara. E se as taxas de inscrição forem multiplicadas, seria criado um banco público no Jardim das Tulherias ou no Campo de Marte? 

Exemplos do número de estudantes estrangeiros na França: Marrocos, 27 mil; China, 26 mil: Argélia, 16 mil; Tunísia, 10 mil, Camarões 4.835; Brasil, 4.311, etc. Vindos de países europeus: Itália, 8.335; Alemanha, 6.220; Espanha, 6 mil, Romênia 3.400; Bélgica 2.400, e outros. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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