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JACK GUEZ / AFP
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França quer investigar Pegasus após escândalo de espionagem envolver Macron

França ordena investigação de spyware após relatórios do Projeto Pegasus

Drew Harwell e Michael Birnbaum, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2021 | 18h28

PARIS - O governo da França iniciou uma investigação sobre o Pegasus, software israelense que teria sido utilizado para espionar políticos jornalistas, ativistas e empresários em todo o mundo, dias depois de uma reportagem publicada por um consórcio global de imprensa revelar que o presidente Emmanuel Macron está entre os monitorados pelo spyware. 

"Se os fatos forem confirmados, eles são claramente muito sérios", disse por meio de nota o gabinete de Macron. "Toda a luz será lançada sobre essas revelações da imprensa. Certas vítimas francesas já anunciaram que iriam tomar medidas legais e, portanto, investigações judiciais serão abertas."

O caso foi revelado pelo Projeto Pegasus, um consórcio de jornalismo que reuniu dezenas de veículos em todo o mundo. Os números de telefone de Macron, dois outros presidentes, 10 premiês e o rei do Marrocos faziam parte de uma lista de 50 mil registros telefônicos supostamente visados pelo programa.

Nenhum dos dispositivos dos líderes mundiais foi examinado judicialmente, mas testes feitos em outros telefones da lista encontraram evidências de sucesso – e de tentativas – de invasão por spyware.

Nesta quinta-feira, 22, Macron convocou um conselho de defesa para tratar do caso, anunciou o porta-voz do governo Gabriel Attal. "O presidente acompanha esta questão de muito perto e leva-a muito a sério", disse Attal à rádio France Inter, acrescentando que a reunião seria dedicada ao caso Pegasus e à cibersegurança.

A NSO, empresa responsável pelo Pegasus, disse em um comunicado na terça-feira que Macron, o rei Mohammed VI e alguns outros oficiais do governo francês incluídos na lista "não são e nunca foram alvos do Pegasus".

A empresa afirma que a inclusão de números na lista não prova que os telefones tenham sido selecionados para vigilância. O presidente-executivo da NSO, Shalev Hulio, disse ao The Post no domingo que a empresa pretendia investigar alegações de uso indevido do software, que a empresa licencia a governos para monitorar terroristas e grandes criminosos.

“A lista não é uma lista de alvos Pegasus ou alvos potenciais. Os números na lista não estão relacionados ao grupo NSO de forma alguma. Qualquer alegação de que um nome na lista está necessariamente relacionado a um alvo Pegasus ou alvo potencial é errônea e falsa”, disse a empresa em comunicado.

Governo de Israel investigará o Pegasus

Israel montou uma força-tarefa de altos funcionários para examinar o caso, informou a agência Reuters na quarta-feira, citando duas fontes israelenses. O governo não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, disse na terça-feira na Cyber ​​Week da Universidade de Tel Aviv que Israel está "atualmente estudando" as revelações do Projeto Pegasus, relatou o Jerusalem Post. “Estamos cientes de publicações recentes sobre o uso de sistemas desenvolvidos por certas empresas cibernéticas israelenses”, disse.

Gantz afirmou que Israel autoriza a exportação de produtos cibernéticos “exclusivamente para governos, apenas para uso legal e exclusivamente para fins de prevenção e investigação de crimes e terrorismo”, acrescentando que os países que adquirem os sistemas “devem cumprir seus compromissos” com esses requisitos.

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disse em um comunicado na terça-feira que o grupo, junto com dois jornalistas de nacionalidade francesa e marroquina que constam na lista, entraram com uma queixa junto a promotores franceses alegando invasão de privacidade e outros crimes.

A lista foi obtida inicialmente pela Forbidden Stories, uma organização sem fins lucrativos de jornalismo com sede em Paris, e a Anistia Internacional. Testes forenses conduzidos pelo Laboratório de Segurança da Anistia em 67 telefones que constavam na lista encontraram vestígios do Pegasus em 37 deles.

Pressão da União Europeia

Líderes da União Europeia e de países exigiram na segunda-feira mais informações sobre se e como a tecnologia foi usada de forma abusiva contra pessoas inocentes.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que, se as alegações forem confirmadas, elas serão "completamente inaceitáveis ​​e contra qualquer tipo de regra que tenhamos na União Europeia."

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que as revelações são "extremamente alarmantes e parecem confirmar alguns dos piores temores sobre o potencial uso indevido de tecnologia de vigilância para minar ilegalmente os direitos humanos das pessoas".

A promotoria de Paris abriu uma investigação após receber reclamações do site de notícias investigativas Mediapart e de dois de seus repórteres, informou a agência Reuters.

O parlamentar francês Gilles Le Gendre, que presidiu o partido de Macron de 2018 a 2020, tuitou que estava entre a "excelente companhia" dos alvos da Pegasus. Ele denunciou a “extrema gravidade dessa espionagem em grande escala”. François de Rugy, ex-ministro da Ecologia da França que também foi espionado, tuitou na terça-feira que havia encaminhado o assunto ao promotor público e solicitado um encontro com o embaixador marroquino na França.

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