França reconhecerá Estado palestino caso negociações fracassem

Chanceler francês afirmou que deve ser estabelecido um cronograma de dois anos para o fim do conflito com Israel

O Estado de S. Paulo

28 Novembro 2014 | 18h09

PARIS - A França afirmou que reconhecerá o Estado da Palestina caso o processo de paz entre israelenses e palestinos fracasse. "Se esse esforço final para se chegar a uma solução negociada falhar, então a França terá que fazer o que é preciso", disse o chanceler francês, Laurent Fabius, nesta sexta-feira, 28, ao Parlamento, que debatia uma resolução pedindo o reconhecimento.

"A França reconhecerá o Estado da Palestina, não é um favor, é um direito", acrescentou Fabius, sem dizer quando a decisão seria tomada. Paris pode sediar uma conferência internacional sobre o conflito, mas não há uma data definida para o evento.

No dia 2 de dezembro, a Assembleia Nacional (Câmara baixa) deve se pronunciar sobre texto que pede ao governo o reconhecimento da Palestina como Estado independente - medida que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, chamou de "grave erro".

Os parlamentares de esquerda, maioria na Assembleia, devem votar a favor da resolução, exceto os mais próximos de Israel, que criticam o texto. Por outro lado, a oposição afirma que o Parlamento não deve atuar em temas competentes ao Executivo e votará contra a aprovação do Estado palestino.

O chanceler explicou, no entanto, que caso os deputados aprovem a moção, o governo francês não fará nenhuma mudança imediata em sua posição diplomática.

A França afirma que está trabalhando com parceiros em um impulso diplomático "final" para superar o impasse entre israelenses e palestinos e estabelecer um cronograma de dois anos para o fim do conflito, por meio de uma resolução apoiada pela ONU.

Fabius também propôs a realização de uma conferência em paralelo para pressionar os dois lados do conflito.

As declarações do chanceler francês ocorrem no momento em que a Autoridade Palestina fala em pedir à ONU o fim da ocupação israelense até 2016. /AFP e REUTERS

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