AFP / Richard Bouhet
AFP / Richard Bouhet

França reforçará buscas por peças de avião da Malásia

Confirmação de que destroço achado em ilha pertence ao voo MH370 dá novo fôlego às operações no Índico

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS

06 de agosto de 2015 | 20h16

PARIS - Após a confirmação de que os destroços localizados na Ilha Reunião pertencem ao Boeing 777 que fazia o voo MH370 da Malaysia Airlines, o governo da França anunciou nesta quinta-feira, 6, que reforçará as buscas no Oceano Índico. A operação será intensificada a partir de amanhã e terá como objetivo localizar mais objetos da aeronave, desaparecida em circunstâncias misteriosas há 17 meses, com 239 pessoas a bordo. Uma escotilha, uma placa de alumínio e almofadas de assentos do que seria o avião apareceram hoje na ilha.

A localização de novos objetos foi confirmada pelo Ministério dos Transportes da Malásia. Em Paris, a exemplo do que ocorreu na quarta-feira, as autoridades não confirmaram a informação. Mas horas depois um comunicado conjunto divulgado pelos ministérios da Defesa, dos Transportes e de Além-Mar da França anunciou a intensificação das operações de busca. 

O texto informa que “patrulhas a pé, missões de busca por helicópteros e brigadas náuticas” reforçarão a pesquisa, com o objetivo de “detectar a presença eventual de novos destroços”.

O perímetro das buscas, entretanto, ainda não foi divulgado. O tema é crucial, já que os governos da Austrália, da Indonésia e da Malásia realizaram sem sucesso grandes operações em áreas do Oceano Índico. Um dos focos das autoridades francesas pode ser o curso da corrente equatorial sul, que passa pela Ilha Reunião.

Em paralelo, a prefeitura de Saint-André, cidade da ilha em que foi localizado o flaperon – parte da asa do avião –, vasculhará a partir de segunda-feira sua costa, segundo informou o prefeito, Jean-Paul Virapoulé. 

Desde a chegada do flaperon à sede da Delegação-Geral de Armamentos e Técnicas Aeronáuticas (DGA-TA), em Balma, no sul da França, uma força-tarefa de peritos em acidentes aéreos, coordenada pelo Escritório de Investigação e Análise (BEA), analisa a peça em busca de novos indícios a respeito das causas e das circunstâncias da queda.

O grupo de especialistas espera explicar ao menos em que momento o fragmento se separou do restante da aeronave, como ele foi parar no mar e qual o grau de violência com que ele se chocou no oceano.

Para Paul-Henri Nargeolet, especialista em segurança aeronáutica que trabalhou nas buscas ao voo AF-447 da Air France, que se acidentou em 2009 na rota Rio-Paris, a expectativa em torno de respostas que a peça possa trazer estão sendo superdimensionadas. 

“Essa descoberta nos confirma que o aparelho se chocou com a água. Ela também poderá permitir saber se o aparelho explodiu em voo, mas ela não vai nos dar muitos elementos a mais”, advertiu em entrevista ao jornal Le Figaro. /COM AFP e REUTERS

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