França reforma Exército para voltar a liderar Otan

Sarkozy argumenta que Forças Armadas reduzidas e mais bem equipadas estarão mais aptas a combater ameaças como a do terror

AP e Reuters, Paris, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2008 | 00h00

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou ontem uma nova política de Defesa, destinada a reconduzir o país ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Pelo plano, o Exército terá seu tamanho reduzido e ganhará equipamentos mais evoluídos tecnologicamente."Podemos renovar nossas relações com a Otan sem temer por nossa independência e sem correr o risco de sermos arrastados a uma guerra contra nossa vontade", disse Sarkozy, que ressaltou que o país manterá suas próprias políticas de dissuasão nuclear.Em 1966, o então presidente francês, general Charles de Gaulle, retirou a França do comando militar da Otan para ressaltar a independência do país em relação a Washington. A decisão de voltar ao comando da organização atlântica reflete a política externa do presidente francês, que dá grande importância à proximidade com os EUA. Sarkozy afirmou ainda que o país precisa dar prioridade à segurança interna, além de adaptar-se para combater as ameaças modernas, como o terrorismo. Segundo Sarkozy, o Exército menor se tornará mais ágil.Para modernizar as tropas, o líder conservador disse que 54 mil cargos administrativos e de apoio serão cortados nos próximos sete anos. Com isso, o Exército francês passará a ter cerca de 225 mil pessoas, entre militares e servidores civis. DESAFIOSAo mesmo tempo, Sarkozy enfrentava ontem mais uma greve. Milhares de franceses, liderados por sindicatos, protestaram em várias cidades do país contra os planos do governo de reformar o sistema de bem-estar social e aumentar a jornada de trabalho, hoje limitada a 35 horas semanais.

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