Kenzo Tribouillard/AFP
Kenzo Tribouillard/AFP

França rejeita medidas de Sarkozy e leva socialista Hollande à presidência

Candidato obteve 51,7% dos votos e quebrou jejum de 24 anos de derrotas da esquerda francesa

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2012 | 03h01

PARIS - Numa votação apertada, confirmando os prognósticos, o socialista François Hollande foi eleito ontem presidente da França. O deputado que adotou o slogan da mudança e do crescimento econômico, em lugar da austeridade, obteve 51,7% dos votos - segundo projeção do 'Le Monde' - quebrando o jejum de 24 anos nos quais a esquerda francesa perdeu todas as disputas presidenciais.

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Impopular, o presidente Nicolas Sarkozy tornou-se o primeiro chefe de Estado da França em três décadas a não ser reeleito. Ele obteve 48,3% dos votos. Os números finais da vitória seriam confirmados pelo Ministério do Interior ainda na noite de ontem, mas a festa da vitória espalhou-se pelas principais cidades do país a partir das 20 horas (15 horas em Brasília), quando pesquisas de boca de urna começaram a ser divulgadas.

O resultado selou o retorno de um socialista ao Palácio do Eliseu 17 anos após o fim da era François Mitterrand. Sarkozy, do outro lado, entrou para a História ao lado do ex-presidente Valéry Giscard D'Estaing, conservador derrotado ao fim de seu primeiro mandato, em 1981.

Menos de meia hora após a divulgação dos resultados, Sarkozy partiu do Eliseu na direção do Teatro da Mutualité, onde os militantes da União pelo Movimento Popular (UMP) o aguardavam. "Quero agradecer a todos os franceses pela honra que me foi dada, de ter sido escolhido para presidir o país durante cinco anos. Jamais vou esquecer", disse ele, assumindo a "responsabilidade integral pela derrota".

"Não consegui convencer uma maioria dos franceses. Fizemos uma campanha inesquecível contra todas as forças - e Deus sabe que elas foram numerosas e coesas contra nós. Mas não consegui fazer vencerem os nossos valores", admitiu Sarkozy diante de seus partidários.

O presidente sugeriu que não voltará a se candidatar a cargos públicos, como havia anunciado, mas tampouco se afastará da vida política. "Vocês podem contar comigo para defender essas ideias, essas convicções, mas meu lugar não poderá mais ser o mesmo", afirmou, encerrando seu discurso emocionado.

Fala da vitória. Mais de uma hora depois, François Gérard Georges Hollande, de 57 anos, ex-secretário-geral do PS entre 1997 e 2008, agora presidente eleito, veio à multidão que o aguardava no centro de Tulle, sua cidade natal. Em um discurso sóbrio, sem espaço para a emoção, Hollande enviou uma "saudação republicana" a seu oponente e afirmou estar "orgulhoso de ter sido capaz de devolver a esperança aos franceses".

Como em pronunciamentos anteriores, prometeu uma "presidência exemplar", sem excessos.

"A mudança deve estar à altura da França. Ela começa agora", garantiu, prometendo realizar um governo aberto aos eleitores da extrema direita. "Saibam que eu respeito suas convicções e serei o presidente de todos."

Hollande ainda não anunciou nenhum nome de seu governo, mas reiterou suas metas. A primeira, disse, é levar à Alemanha e à União Europeia a mensagem das urnas na França. "Minha missão é dar à construção europeia uma dimensão de crescimento, de emprego e de prosperidade."

Ainda à noite, líderes europeus como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o premiê britânico, David Cameron, telefonaram ao vencedor para parabenizá-lo.

O presidente dos EUA, Barack Obama, também falou com o novo colega francês.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, classificou a eleição como "histórica" e afirmou que os dois países "continuarão a cumprir suas missões e a assumir suas responsabilidades no seio da UE".

"A disciplina fiscal e a estratégia do crescimento constituem as duas faces da mesma moeda", disse o ministro. Em sinal de reaproximação, Hollande e Merkel se encontrarão na primeira viagem oficial do novo presidente.

O presidente eleito deixou Tulle em avião privado rumo à Paris, onde discursaria no início da madrugada às centenas de milhares de pessoas reunidas na Praça da Bastilha para comemorar a volta da esquerda ao poder.

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