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FABRICE COFFRINI / AFP
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França rejeita pedido de asilo feito por Assange

Governo de Hollande alegou que fundador do WikiLeaks não corre perigo e é alvo de um mandado de prisão europeu

O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2015 | 09h15

PARIS - A França rejeitou nesta sexta-feira, 3, um pedido de asilo do fundador do Wikileaks, Julian Assange, feito em carta dirigida ao presidente da França, François Hollande, informou o Palácio do Eliseu.

Assange vive na embaixada do Equador em Londres há três anos após conseguir refúgio para evitar ser extraditado para a Suécia, onde é acusado de crimes de abuso sexual.

"A França recebeu a carta do sr. Assange. Uma investigação profunda mostra que no mérito dos elementos legais e materiais da situação do sr. Assange, a França não pode garantir seu pedido", informou nota emitida pelo gabinete do presidente francês, François Hollande.

"A situação do sr. Assange não representa qualquer perigo imediato. Ele também é alvo de um mandato de prisão europeu", acrescentou o comunicado.

O jornal Le Monde publicou anteriormente uma carta aberta de Assange para Hollande, dizendo que sua vida estava em perigo.

O australiano, de 44 anos, se apresenta na carta como um "jornalista perseguido e ameaçado de morte pelos EUA" em razão das suas atividades profissionais e diz ser vítima de "uma perseguição política de uma envergadura inédita" que inclui ameaças de assassinato, sequestro, encarceramento, campanhas de difamação e assédio que afetam a ele mesmo, seu entorno e sua organização.

"Foram lançadas essas ações contra mim porque um dia decidi não me calar e revelar provas de crimes de guerra contra a humanidade", ressaltou.

No documento, Assange descreve também as condições nas quais vive na embaixada em Londres desde 2012. "Disponho de 5,5 metros quadrados para meu uso privado. As autoridades britânicas me proibiram o acesso à luz solar e ao ar livre, assim como qualquer possibilidade de ir ao hospital", comenta Assange, segundo o qual a embaixada, fortemente vigiada, o impediu de ter "a mínima vida familiar ou íntima".

"A França faria um gesto humanitário mas também simbólico, enviando ânimo a todos os jornalistas que arriscam sua vida para permitir aos cidadãos ter acesso à verdade".

O fundador do Wikileaks lembra que a organização recebeu "dezenas de prêmios jornalísticos", entre eles um da Anistia Internacional (AI), e o site foi indicado "em cinco ocasiões consecutivas" ao Nobel da paz, assim como ao Prêmio Mandela das Nações Unidas.

Momento. A carta foi enviada à presidência francesa após a recente publicação, por meio do Wikileaks, de vários documentos secretos da Agência de Segurança Nacional americana (NSA) que demonstram que Washington espionou os três últimos presidentes franceses pelo menos entre 2006 e 2009.

Essa circunstância, assim como as chamadas para que a França revise sua legislação sobre os filtros de informação e o apoio à liberdade de imprensa feitos pelas autoridades francesas após o atentado terrorista de janeiro contra o jornal satírico Charlie Hebdo, motivam a realização do pedido de asilo neste momento.

Assange apoia-se, além disso, no fato da ministra francesa de Justiça, Christiane Taubira, se mostrar propícia de que seja concedido asilo na França, ideia rejeitada pelo primeiro- ministro Manuel Valls. /EFE e REUTERS

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