Filip Singer / EFE
Filip Singer / EFE

Com Johnson pressionado, França rejeita adiar Brexit

‘Britânicos que assumam sua situação pois estão em um beco’, afirma o ministro francês das Relações Exteriores; premiê se mantém firme em sair da UE no dia 31 de outubro, mesmo após a renúncia de Amber Rudd

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2019 | 15h28

PARIS - O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, rejeitou neste domingo, 8, qualquer novo adiamento do Brexit nas circunstâncias atuais. "No atual estado de coisas, é 'não'", disse ele em um programa da Europe1/CNEWS/Les Echos.

"Não vamos voltar a adiar a cada três meses" para discutir um adiamento do Brexit, acrescentou. "Eles (os britânicos) dizem que querem propor outras soluções, acordos alternativos para se assegurar da saída (...). Mas, como não vimos isso, é 'não'. Não podemos voltar a começar a cada três meses. Que as autoridades britânicas nos indiquem o caminho", completou Le Drian.

"Os britânicos que assumam a sua situação porque estão em um beco. Agora, não há maioria para nada no Parlamento britânico", nem para um Brexit sem acordo e nem para a convocação de eleições, afirmou o ministro francês.

Na semana passada, o Parlamento britânico aprovou uma lei que obriga o primeiro-ministro Boris Johnson a adiar por três meses a data prevista para a conclusão do Brexit - em 31 de outubro -, caso não se chegue a um acordo com a União Europeia (UE) antes do dia 19 do mesmo mês.

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Boris Johnson se mantém firme em relação ao Brexit

O premiê Boris Johnson se mantém firme em sua intenção de sair da UE no dia 31 de outubro, com ou sem acordo, mesmo após a renúncia de um dos nomes mais importantes de seu governo, a ministra Amber Rudd, no sábado.

Amber, de 56 anos, votou a favor de permanecer no bloco europeu no referendo de 2016 e disse em sua carta de renúncia que o “objetivo principal” do governo já não é a obtenção de um acordo de saída do grupo.

Substituída pela deputada Thérèse Coffey como ministra do Trabalho e das Aposentadorias, Amber criticou a exclusão do Partido Conservador dos 21 deputados que votaram nesta semana com a oposição um projeto de lei destinado a evitar um Brexit sem acordo.

A renúncia de Amber é um duro golpe para Johnson, que já não tem a maioria no Parlamento e cuja estratégia sobre o Brexit foi bloqueada.

Os deputados e os membros da Câmara dos Lordes aprovaram um projeto de lei que o obriga a adiar em três meses a data para o Brexit, prevista para 31 de outubro, se não se chegar a um acordo de separação com a UE antes de 19 de outubro.

O texto deve ser aprovado pela rainha Elizabeth II na segunda-feira para se converter em lei. “Nego-me a aceitar esse adiamento inútil (...)”, escreveu Johnson no jornal Sunday Express. / AFP e EFE

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