Sameer Al-Doumy / AFP
Sameer Al-Doumy / AFP

França retira embaixador da Itália após reunião entre vice-premiê italiano e coletes amarelos

Luigi di Maio participou de encontro com os coletes amarelos, que protestam todo sábado na França desde novembro do ano passado

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2019 | 14h40

PARIS - A França ordenou a retirada do seu embaixador da Itália, anunciou nesta quinta-feira, 7, uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês. A decisão ocorre após o vice-primeiro-ministro italiano, Luigi di Maio, participar de uma reunião com membros dos coletes amarelos, que organizam protestos contra o governo de Emmanuel Macron desde novembro do ano passado.

O embaixador francês foi chamado de volta para “consultas”, disse a representante da chancelaria, Agnes von der Muhll, exigindo que a Itália voltasse a ter relações amigáveis dignas “do nosso destino comum”. Segundo ela, a França “tem sido, por meses, alvo de ataques repetidos e sem fundamento”.

Nesta semana, Di Maio, se encontrou com apoiadores dos coletes amarelos que pretendem participar das eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para maio deste ano. O italiano afirmou que o seu movimento populista está pronto para ajudar os manifestantes antigovernamentais da França, acusando Paris de incentivar a crise migratória pelo continente e de criar a pobreza na África.

Agnes considerou “inaceitável” a interferência na democracia francesa e sem precedentes desde que os dois países vizinhos se juntaram após a 2ª Guerra para criar a União Europeia. “Ter discordâncias é uma coisa, mas manipular um relacionamento para fins eleitorais é outra”, acrescentou o ministério francês.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, respondeu que está disposto a começar do zero a sua relação com o presidente Emmanuel Macron, contanto que o francês esteja disposto a "rever três questões fundamentais”: parar de enviar imigrantes de volta para a Itália, interromper as demoradas checagens na fronteira e entregar cerca de 15 militantes de esquerda que conseguiram asilo na França nas décadas passadas.

O Ministério de Relações Exteriores da Itália não fez comentários sobre a decisão francesa, algo que, segundo um diplomata, não acontecia desde 1945. / AP e REUTERS

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