França: Sarkozy quer ruptura com política dos últimos 20 anos

O candidato conservador à Presidência da França, Nicolas Sarkozy, defendeu na segunda-feira, 26, a "ruptura" com a política das últimas duas décadas, horas após deixar o governo, enquanto uma nova pesquisa mostrava que ele está empatado com sua adversária socialista, Ségolène Royal, no primeiro turno das eleições.A enquete da LH2 atribui aos dois candidatos 27% das intenções de voto na votação de 22 de abril. O resultado mostra uma redução de dois pontos em uma semana para o ex-ministro do Interior e um avanço de um ponto para a candidata do Partido Socialista (PS).No segundo turno, marcado para 6 de maio, o candidato da União por um Movimento Popular (UMP), coalizão conservadora que comanda o governo, venceria com 51% dos votos.A enquete confirma a queda do centrista François Bayrou, com 20%. O ultradireitista Jean-Marie Le Pen teria 12%.Como "homem livre, pronto para ir plenamente ao encontro de todos os franceses", Sarkozy foi a um comício em Avignon, cidade do sudeste da França onde o presidente francês, Jacques Chirac, tinha anunciado há cinco anos sua candidatura ao segundo mandato."Quero romper com uma forma de fazer política que conduziu a democracia francesa à situação de 2002", disse, lembrando as eleições em que Le Pen chegou ao segundo turno.Ele se apresentou como herdeiro de Chirac, que deu um apoio frio à sua candidatura na semana passada. Defendeu sua vontade de concentrar a sua campanha no "valor do trabalho" e na "identidade nacional" e prometeu que não mentirá nem trairá os eleitores.Ségolène RoyalAo mesmo tempo, Royal apresentava em Nantes, no oeste do país, seu programa na área da cultura.Cercada por artistas, a primeira mulher com possibilidades reais de chegar ao Palácio do Eliseu chamou a cultura de "força emancipadora". Lembrando o último presidente socialista, François Mitterrand, fez votos de que a França "recupere a força cultural de 1981", quando seu partido venceu a eleição."O acesso à cultura é fundamental para que todos reencontrem seguranças básicas", afirmou Royal, para quem a cultura é "um combate social".Ela defendeu, entre outros pontos, a reintrodução do ensino da história da arte nas escolas, a abertura de negociações sobre os direitos autorais na era da internet, a redução da "exclusão digital", mecanismos fiscais beneficentes para as livrarias independentes e o relançamento do mercado da arte contemporânea.

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