França se absterá em voto sobre adesão palestina à ONU

Britânicos indicam que seguirão mesmo caminho, frustrando pedido para que Palestina se torne membro da organização

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h05

O Ministério das Relações Exteriores da França anunciou ontem que o país se absterá na votação no Conselho de Segurança da ONU sobre a adesão da Palestina como membro pleno da organização - diplomatas britânicos confirmaram que Londres seguirá o mesmo caminho.

Assim, os palestinos não conseguirão nem mesmo uma vitória simbólica no Conselho de Segurança e os EUA não precisarão usar seu poder de veto para impedir a entrada do Estado palestino na ONU - a votação sobre o tema deve ocorrer na próxima semana.

Para aprovar a adesão seriam necessários 9 votos dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e nenhum veto dos 5 membros permanentes (EUA, China, Grã-Bretanha, França e Rússia).

Os EUA já haviam prometido vetar o pedido, mas os palestinos acreditavam que teriam o apoio de pelo menos 9 dos 15 membros do Conselho de Segurança, obrigando os americanos a usar o veto, o que mostraria que a Casa Branca está isolada na questão.

No entanto, quase dois meses após o pedido ser entregue na ONU, os palestinos parecem ter garantidos apenas oito votos - Rússia, China, Brasil, Índia, África do Sul, Líbano, Gabão e Nigéria -, embora os dois países africanos não tenham anunciado oficialmente sua posição.

A expectativa dos palestinos era a de que a França votasse a favor, especialmente depois de Paris ter apoiado a adesão do Estado palestino à Unesco - esperança desfeita pela chancelaria francesa. "A legitimidade da aspiração palestina por um Estado é indiscutível. Mas o pedido não tem possibilidade de sucesso no Conselho de Segurança, especialmente após a posição dos EUA. A França alertou sobre esses riscos. Por isso, ficamos sem opção a não ser a da abstenção", afirmou o comunicado.

Europa. Além da posição contrária dos EUA e das abstenções de França e Grã-Bretanha, os palestinos também não conseguiram o apoio de Alemanha, Colômbia, Bósnia e Portugal.

Os alemães não apoiam o pedido palestino, mas não confirmaram se votarão contra ou se absterão. Colombianos e bósnios já optaram pela abstenção. Portugal dificilmente adotaria uma posição diferente dos três membros mais importantes da União Europeia e também tende à abstenção.

Para a França, a melhor alternativa seria um pedido palestino para uma mudança de status na ONU - de entidade observadora para Estado observador. Isso poderia ser feito em votação por maioria, na Assembleia-Geral, na qual os EUA não têm poder de veto.

Mas o chanceler palestino, Riyad al-Maliki, disse que essa alternativa está fora de questão. "Não queremos, depois de todos os esforços e sacrifícios do povo palestino, aceitar o status de Estado observador. Não queremos nada menos do que ser membro pleno da ONU", disse.

Em outra frente diplomática, os palestinos buscam a adesão em várias entidades e agências das Nações Unidas. Esta semana, eles conseguiram entrar como membro pleno da Unesco, o braço da ONU ligado à educação, ciência e cultura. Especula-se que agora eles poderiam reivindicar a entrada na Organização Mundial de Saúde (OMS) e na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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