França se opõe à pena de morte após execução no Iraque

A França reafirmou sua oposição à pena de morte após a execução nesta segunda-feira em Bagdá de dois colaboradores do ex-presidente Saddam Hussein, apesar de ter considerado que os responsáveis de crimes cometidos no Iraque devem "responder por seus atos".Duas semanas após a execução do ex-presidente iraquiano, foram executados nesta segunda-feira em Bagdá seu meio-irmão Barzan al-Tikriti e o juiz Awad Hamad al-Bandar, em aplicação da sentença de morte ditada em novembro contra os três.Perguntado sobre esta execução, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores francês, Jean-Baptiste Mattéi, afirmou que, "por iniciativa da França", a União Européia lembrou no dia 5 sua oposição à pena de morte e pediu que os dois acusados não fossem executados."A posição da França, como a de seus parceiros europeus, é trabalhar pela abolição universal da pena de morte. É uma posição de princípios que se aplica a todos os casos", ressaltou o porta-voz.Mttéi acrescentou que, ao mesmo tempo, a França considera que os responsáveis dos excessos cometidos no Iraque "devem responder por seus atos e ser levados à Justiça". Vaticano: "Pena de morte não é solução"O Vaticano também reiterou nesta segunda-feira sua oposição à pena de morte, afirmando que não é a solução dos problemas, e ressaltou que a execução na forca dos colaboradores de Saddam Hussein, Barzan al-Tikriti e Awad al-Bandar, é um "cruel justiçamento".Assim como fez quando Saddam foi enforcado, o porta-voz do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, disse que não mudou de opinião sobre a pena de morte, "que não é o instrumento adequado para solucionar os problemas do Iraque".O jornal L´Osservatore Romano qualificou a execução dos colaboradores de Saddam como um "cruel justiçamento". "O patíbulo continua sendo instrumento de um cruel justiçamento", escreveu o jornal da Santa Sé em uma nota na qual informa nesta segunda-feira que o ex-chefe dos serviços secretos e o ex-presidente do tribunal revolucionário do antigo regime iraquiano também foram enforcados.O jornal acrescentou que, após a execução de Saddam, "com que se fez espetáculo de maneira claramente lesiva à dignidade da pessoa", muitas partes pediram às autoridades iraquianas que dessem "sinais" de diálogo e reconciliação."Mas, por enquanto, não parece que houve uma mudança de rota", lamentou o porta-voz do Vaticano.

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