França se preparou para disparar contra aviões de Israel

Unidades antiaéreas francesas da força de paz da ONU deram "passos preparatórios essenciais" quando jatos da força aérea de Israel sobrevoaram a baixa altitude o sul do Líbano nesta sexta-feira, disse um porta-voz. Não chegou a haver disparos de nenhum dos lados. Este foi o segundo incidente do tipo em três semanas entre as tropas da França e aviões de Israel sobrevoando o Líbano. Milos Strugar, assessor do comandante da força da ONU, afirmou que os franceses se prepararam quando dois caças F-15 israelenses sobrevoaram posições da ONU a baixa altitude. Ao mesmo tempo, dois aviões de reconhecimento israelenses estavam circulando o QG do batalhão francês em Jabal Maroun. "A unidade antiaérea do batalhão deu passos preparatórios essenciais para responder a essas ações de acordo com as regras de engajamento da força da ONU e a resolução 1701 do Conselho de Segurança", que permite o uso da força em autodefesa, explicou Strugar. Em Jerusalém, o Exército de Israel negou-se a comentar o incidente. Segundo Strugar, o comandante da força da ONU, o major-general francês Alain Pellegrini, "protestou fortemente com as autoridades israelenses e pediu a elas para suspender essas ações". Pellegrini também reportou o incidente à sede da ONU em Nova York. As tropas da França fazem parte da força da ONU que visa obrigar Israel e a guerrilha Hezbollah a respeitar os termos de um cessar-fogo que pôs fim a uma guerra de 34 dias entre as duas partes em agosto. Em 31 de outubro, caças israelenses fizeram repetidos mergulhos sobre posições das forças de paz francesa no sul do Líbano e as tropas estiveram a segundos de disparar mísseis antiaéreos. A ministra da Defesa da França, Michele Alliot-Marie, disse ao parlamento francês em 8 de novembro - quando o incidente tornou-se público - que "nossas tropas evitaram uma catástrofe por muito pouco". O Exército de Israel alega precisar sobrevoar o Líbano para monitorar os movimentos do Hezbollah e para impedir que armas sejam contrabandeadas para a guerrilha através da Síria. Os vôos têm causado tensão com o Líbano e a ONU, que consideram a intromissão em espaço aéreo libanês uma violação do cessar-fogo. Esta semana, o Ministério do Exterior israelense pediu a seu Exército para evitar tais vôos, que eram vistos como uma provocação.

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