França suspende entrega de navio de guerra à Rússia

O presidente francês, François Hollande, suspendeu a entrega de navios de guerra à Rússia, um movimento que corre o risco de aprofundar as tensões com o Kremlin sobre atuação no conflito no leste da Ucrânia. Mais de uma semana após a França perder o prazo de entrega do primeiro dos dois navios, Hollande formalizou a suspensão. "A atual situação no leste da Ucrânia ainda não permite a entrega", disse o escritório do presidente, em comunicado. A medida vai durar até "novas ordens" do presidente, de acordo com o documento.

Estadão Conteúdo

25 Novembro 2014 | 18h50

Ao suspender a entrega, Hollande está levando a França para o que as autoridades dizem que pode ser tornar um impasse prolongado com Moscou. Se Paris, em última análise, cancelar o projeto, a França será obrigada a reembolsar a Rússia pelos navios em um momento em que o governo de Hollande está sem verba. A França também enfrenta sanções por atrasar o cumprimento do contrato. As autoridades francesas apostam que Moscou não vai procurar impor quaisquer sanções, dizendo que tal medida só iria engrenar tensões e comprometer ainda mais o projeto.

Durante meses, a França tem estado sob pressão de aliados ocidentais para cancelar o contrato de 1,2 bilhões de euros (US$ 1.490 milhões) para entregar dois navios capazes de realizar ataques do mar a Moscou. Os EUA e outros aliados protestaram, alegando que a França arriscou entregar à Rússia uma arma potente que iria melhorar significativamente a capacidade de sua marinha para conquistar e manter territórios costeiros.

O ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, foi à Varsóvia, onde pessoalmente informou o ministro da Defesa polonês, Tomasz Siemoniak, sobre a medida. Le Drian também anunciou planos para implantar uma unidade de veículos armados nas próximas semanas para realizar exercícios na Polônia. "Eu informei Tomasz Siemoniak da determinação da França de permanecer ao lado da Polônia dos nossos aliados para enfrentar as atuais ameaças à segurança", disse Le Drian. Fonte: Dow Jones Newswires.

Mais conteúdo sobre:
RússiaFrançaUcrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.