Geoffroy Van Der Hasselt/AFP
Geoffroy Van Der Hasselt/AFP

França tem maiores protestos contra passaporte de vacinas

Documento é obrigatório para acesso a espaços culturais e de lazer, e a partir de 9 de agosto deverá ser apresentado em bares, restaurantes, aviões e trens

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2021 | 17h07

PARIS - Milhares marcharam neste sábado, 31, em Paris contra a adoção de passaportes de vacina, clamando por “liberdade” e entrando em confronto com a polícia. Outras cidades francesas também registraram manifestações. Este é o terceiro fim de semana de protestos contra a medida.

De acordo com o Ministério do Interior francês, 204.900 pessoas participaram dos protestos, um aumento em relação aos 110 mil e 160 mil manifestantes registrados em 17 e 24 de julho, respectivamente. 

Em Paris, onde cerca de 14 mil pessoas se manifestaram, quatro protestos foram convocados. Uma das marchas foi liderada pelo ex-tenente-chefe da líder de extrema direita Marine Le Pen, Florian Philippot, hoje líder de seu próprio pequeno partido anti-UE. 

Mais de 3 mil policiais foram posicionados na capital francesa. Os acessos à luxuosa avenida Champs Elysées, ocupada por manifestantes na semana passada, foram bloqueados neste sábado. Ainda assim, houve confronto. Policiais enfrentaram manifestantes com os punhos em frente à famosa casa noturna Moulin Rouge, no norte de Paris. A polícia disparou gás lacrimogêneo contra uma multidão que se dirigia ao leste da cidade.

As manifestações foram convocadas em cerca de 150 cidades no país. No sudeste da França, mais de 20 mil pessoas participaram dos atos. Os maiores eventos foram registrados em Montpellier e Nice.

"Eu sou o judeu de Macron", "Vacine-me contra o fascismo e o capitalismo" e "Mentira da mídia! Queremos a verdade" eram os dizeres de algumas placas carregadas por manifestantes em Rennes, onde 2.900 pessoas se reuniram.  “Presidente, deputados, senadores, cientistas, jornalistas, são todos covardes”, dizia uma das faixas. Manifestantes repetiam “liberdade, liberdade”.

Em Paris, Hager Ameur, uma enfermeira de 37 anos, disse à agência Associated Press que renunciou ao emprego, acusando o governo fazer "chantagem". “Os trabalhadores da saúde foram bastante maltratados durante a primeira onda de covid-19. E agora, de repente, somos informados de que, se não formos vacinados, é nossa culpa que as pessoas estejam contaminadas. Isso é nojento”, afirmou.

Com o aumento das infecções e hospitalizações por covid-19, legisladores franceses aprovaram um projeto de lei que exige comprovante de vacinação para acesso à maioria dos lugares.

O documento é obrigatório desde o dia 21 de julho para acesso a espaços culturais e de lazer, e a partir de 9 de agosto deverá ser apresentado em bares, restaurantes, aviões e trens. Pesquisas indicam que a maioria dos franceses apoiam a adoção do documento.

A França, que esta semana ultrapassou 50% da população vacinada, registrou mais de 24.300 casos nesta sexta-feira. /AP e AFP

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