França teme boicote econômico nos EUA

Estamos vendo reacender, entre os Estados Unidos e a França, a guerra dos queijos, dos vinhos e dos perfumes, como a que se estabelece cada vez que os diplomatas franceses e americanos não entram em acordo. Isso aconteceu nos tempos do general De Gaulle - demônio dos americanos - e depois arrefeceu.Hoje em dia, graças a Saddam Hussein, as duas diplomacias criaram nichos, péssimos hábitos. Washington está tentando obter os votos de Guiné, de Camarões e de Angola, graças a alguns dólares a mais.Rapidamente, o chanceler francês, o afetado Dominique de Villepin, toma um avião e vai pregar sua palavra na Guiné, em Camarões e Angola.Os americanos começaram a ficar irritados. E é compreensível. Foi Paris que transformou o palanque diplomático montado por Bush há alguns meses em um verdadeiro pesadelo. De resto, o plácido Colin Powell não escondeu que a França vai pagar por sua arrogância: "Mesmo que a França seja uma nação amiga há muitos anos, e continuará sendo no futuro, isso afetará seriamente as relações bilaterais, a menos a curto prazo".As ameaças de Colin Powell abalaram os ambientes financeiros franceses. As vendas francesas nos EUA caíram US$ 28 bilhões no ano passado. Mas, até aqui, as empresas americanas não haviam lançado mão de retaliação. Acredita-se que a declaração belicosa de Powell não tenha sido interpretada pelos americanos como um sinal verde não para as iniciativas de Estado, mas para as iniciativas privadas antifrancesas.Sobre quem podem pesar esses boicotes? Como sempre, bebidas alcoólicas, água, produtos de beleza - a l´Oreal fatura 30% dos seus negócios nos EUA. Outro capítulo, o turismo: 2,9 milhões de americanos vieram à França no verão passado.Essas ameaças indiretas da administração americana serão seguidas tanto pelas empresas quanto pela imprensa, que continuará a criticar a posição de Chirac. É, em parte, o caso. O Los Angeles Times explica: "A chave da posição francesa e russa no Iraque é o dinheiro". A proteção dos interesses franceses ou russos, muito grandes, no Iraque.O Washington Times anunciou que uma empresa francesa, não identificada, vendeu peças desmontadas de caças Mirage para o Iraque em janeiro. Um senador americano do Arkansas pediu uma investigação sobre essa traição.Entretanto, a posição francesa favorável ao controle, mais do que à guerra, recebeu apoio de um jornal tradicional e influente, o New York Times. E Hollywood começou a se movimentar em favor da paz. Mas com moderação, temendo uma "caça às bruxas". Com exceção de monumentos como Norman Mailer, tão poderoso que pode dizer em alto e bom tom, com sua voz grave, que prefere a paz ao invés da guerra.

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