França tenta atrair Kadhafi para luta antiterrorista

O ministro da Cooperação da França, o socialista Charles Josselin, foi o portador de uma carta do presidente Jacques Chirac e de mensagens do primeiro-ministro, Lionel Jospin, ao presidente da Líbia, coronel Muammar Kadhafi. As relações entre a França e a Líbia estão ingressando numa nova fase, depois de terem se deteriorado a partir de 1989, em razão do atentado praticado contra um DC10 da UTA francesa - um avião comercial que explodiu sobre o deserto do Niger com seus passageiros - e , cujos autores foram identificados como agentes dos serviços secretos libios. Elas continuaram evoluindo favoravelmente, após o coronel líbio ter anunciado sua disposição de lutar contra todas as formas de terrorismo, surpreendendo analistas internacionais. Kadhafi foi um dos primeiros no mundo árabe a condenar com determinação os autores do atentado contra o World Trade Center, em Nova York, considerando legítimo o direito de resposta dos americanos, mesmo não aceitando a equação do presidente Bush, segundo a qual quem não está com os Estados Unidos deve ser classificado no campo dos terroristas. Kadhafi condena hoje o terrorismo, mas não está disposto a seguir cegamente os Estados Unidos no campo político por eles delimitado. Por isso, quer saber "quem dirá aos americanos que eles devem partir da Arábia Saudita", pois sua presença no território da Meca será sempre um fator de desestabilização e insegurança desse e de outros países da área. A Líbia concorda também com a diplomacia francesa de que a luta contra o terrorismo não deve ser orientada apenas por ações de caráter militar, mas também por uma maior cooperação policial, judiciária, financeira, e por meio da redução das "desigualdades que favorecem frustrações e ódio". Esses dois governos parecem ter superado suas divergências mais profundas que, no passado, chegaram a levar o juiz antiterrorista francês, Jean Louis Bruguiére, a responsabilizar diretamente o presidente líbio por atentados terroristas praticados na África e na Europa. Apesar dessa aparente boa vontade de Muammar Kadhafi e da evidente tentativa de aproximação bilateral da França, a Líbia continua na lista negra dos países que, segundo o Departamento de Estado, ainda apóiam o terrorismo.

Agencia Estado,

24 Outubro 2001 | 16h33

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